31. A Secessão dos EUA

Um assunto que desperta grande interesse em meus alunos é a Guerra de Secessão, palavra que significa desmembramento, fragmentação.  Com certeza, foi uma das guerras mais marcantes de todos os tempos, principalmente por estar relacionada ao país mais rico do mundo e a escravidão. Também conhecida como Guerra Civil Norte-americana, foi o conflito mais sangrento em que os EUA se envolveu.

Este é o primeiro post, de uma série de três. Neste, abordarei as causas do conflito. Recomendo observarem como o interesse comercial está sempre na composição deste tipo de conflito. Parece existir uma simbiose entre dinheiro e guerra.

Soldados representando Norte e Sul na Guerra Civil Norte-Americana

Soldados representando os dois lados da Guerra Civil Norte-Americana. Imagem: Internet

 A Origem

Mesmo antes da Independência dos EUA, ocorrida em 1776,  as treze colônias iniciais já demonstravam suas diferenças. A própria geografia,  com solos e  climas diversos, contribuíram para o surgimento de culturas e interesses variados entre as regiões.

Os estados do Sul, com clima e solo mais favoráveis a agricultura, voltaram sua economia para o setor agrícola. Grandes propriedades (latifúndios) e concentração de terras, necessários para produção em larga escala, se formaram. No início os solos férteis foram usados na plantação de tabaco, posteriormente o algodão e a cana-de-açúcar se destacaram, toda produção sustentada pela mão de obra escrava.

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Foto atual de uma típica casa de fazendo no Sul dos EUA. Imagem: internet

Já os estados do Norte, mais frios, voltaram sua economia para a indústria, tecnologia, urbanização e comércio. Toda a revolução industrial ocorrida nos EUA, ao longo do século XIX, se baseou nesta parte do país. No campo nortista também era diferente, as fazendas eram de médio e pequeno porte, com mão de obra assalariada.

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Pintura retratando Nova Iorque, cidade do Norte. Muito populosa e moderna para seu tempo, assim como nos dias de hoje. Imagem: http://hd.housedivided.dickinson.edu/node/18233

Após a independência Norte-americana, em um país agrário, era clara a supremacia do Sul em relação ao Norte. Das primeiras 16 eleições presidenciais, entre 1788 e 1848, por doze vezes colocaram um proprietário de escravos do Sul na Casa Branca.

A Revolução industrial chega aos EUA

Após 1850, com o país já próximo às dimensões atuais, as coisas mudaram de figura. A forte industrialização, aumento populacional e consequente crescimento econômico, acentuavam a força nortista, que passou a comandar o congresso. As rivalidades entre Norte e Sul estão diretamente ligadas a esta reviravolta, e se acirrou com o tempo.

As duas regiões possuíam costumes e culturas distintas e, no aspecto político, também não se entendiam. Para proteger suas indústrias, o Norte queria aumentar o imposto dos maquinários importados do Reino Unido, para o Sul, dependente desses produtos, seria péssimo.

Outra discordância era em relação a terras devolutas, ou seja, sem dono, portanto, pertencentes ao governo. Os políticos do Norte defendiam a venda dessas terras por preços muito baixos, incentivando colonização do oeste, para o Sul, temendo uma concorrência, queria dificultar o acesso a terras.

Questão abolicionista

O assunto que mais dificultava a relação entre as regiões era a escravidão.

Com uma economia baseada na indústria, comércio, construção de linhas de trem  e consumo, os nortistas eram amplamente favoráveis ao fim da escravidão. Uma pessoa livre trabalha, com isso recebe seu salário e, principalmente, consome. Óbvio que existiam pessoas que se indignavam com a abominável escravidão, achavam algo desnecessário e imoral, mas o grande capital industrial, com certeza, se preocupava mais com o incremento do mercado consumidor.

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Estados abolicionistas (azul) e escravocratas (vermelho). Imagem: Internet.

No Sul, também existiam abolicionistas, mas eram minoria, já que  cerca de um terço das famílias brancas possuíam escravos e lucravam muito com eles. O algodão, na famosa frase do senador sulista James Henry Hammond, “era rei”, a commodity mais importante da revolução industrial iniciada no século anterior. Segundo os gananciosos proprietários de terras, a mão de obra escrava era indispensável para a manutenção dos lucros.

Abraham Lincoln

Abraham Lincoln. Imagem: Internet

Abraham Lincoln. Imagem: Internet

Em 1860, os republicanos escolheram Abraham Lincoln como seu candidato nas eleições presidenciais.  Lincoln, em sua campanha eleitoral, afirmou que os Estados Unidos não podiam viver eternamente, “metade livre, metade escrava“. Como todo o seu partido,  se mostrava claramente favorável a abolição da escravidão, apesar de a princípio, aceitar a escravidão nos estados onde já existia.

A Secessão

Acuados em um congresso dominado pelo Norte, desconfiados, os estados do Sul já pediam a secessão dos EUA, caso Lincoln vencesse. Queriam preservar  seus interesses intactos.
Lincoln venceu em novembro de 1860, um mês depois,  a Carolina do Sul se declara separada dos EUA. No ano seguinte, os outros estados de economia e filosofia política similar iriam seguir seus passos, formando os Estados Confederados da América.

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Estados Confederados da América. Imagem: Internet

Esta introdução serve de base para entender o conflito, na próxima publicação vem a segunda parte, contando sobre o desenrolar da  Guerra Civil Norte-americana. É imperdível!

Espero ter aumentado o conhecimento de todos os leitores. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 06.05.2015

One comment to “31. A Secessão dos EUA”
  1. Continua ai clebin !! Doidera demais esses capitalistas, até pra abolir a escravidão eles pensam no dinheiro primeiro !!

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