199. Tiradentes

Em nosso último texto abordamos a Inconfidência ou Conjuração Mineira. Percebemos que o movimento foi traído e todos os seus líderes foram presos, negando qualquer envolvimento com a insurreição. Com a revogação da Derrama, alguns aristocratas, tendo suas dívidas perdoadas, simplesmente delataram todos os companheiros.

Joaquim Silvério dos Reis era um coronel e se tornou o grande nome por trás da traição que desmantelou todo o movimento. Fez por perdão de sua dívida com a coroa. Ficou com seu nome manchado na história. Imagem: Internet.

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De todos os encarcerados, somente um não negou o seu desejo de liberdade e consequente atuação ativa na conspiração:

Tiradentes

Não sabemos como Tiradentes realmente era. Ele só se tornou herói nacional cerca de 100 anos após sua morte. Imagina-se que sua imagem seja algo relativamente parecida com essa pintura. Imagem: Reprodução

Joaquim José da Silva Xavier nasceu na Fazenda do Pombal, em São José Del-Rei (atual Tiradentes), em 1746. Foi o quarto de nove filhos. Ao longo de sua vida teve várias profissões, foi tropeiro, mascate, minerador e dentista, algo bem diferente do que representa a profissão hoje. Apesar de tentar preservar os dentes sempre que possível, na maioria das vezes tinha que arrancá-los, devido a baixa tecnologia disponível na época, por isso o apelido Tiradentes.

Após idas e vindas conseguiu alguma estabilidade na vida após se tornar alferes (algo próximo a 2º tenente atualmente) na cavalaria dos Dragões Reais de Minas, força militar que atuava no estado. Era um oficial de baixa patente.

Desiludido com a lentidão em subir no oficialato, pediu baixa na cavalaria, morou um tempo no Rio de Janeiro e depois voltou para Minas Gerais, onde começou a fazer parte da insurreição.

Teve seu nome eternamente gravado na história por ter sido, entre todos os detidos, o único a assumir sua culpa, inclusive se auto intitulando o líder do movimento. Na verdade ele nunca foi líder, entretanto era o que mais divulgava as ideias perante o povo.

A espera pelo julgamento durou 3 anos. Ocorreu no dia 18 de abril de 1792, quando foi lida a sentença e 12 participantes da insurreição foram condenados a morte. Entretanto, no dia seguinte, a Rainha de Portugal, Maria I, para mostrar clemência, mudou todas as penas para exílio, com exceção de Tiradentes. Alguém tinha que servir de exemplo.

Maria I, também chamada de “piedosa” e a “louca”. Foi quem definiu o futuro dos inconfidentes. Anos depois ficou mentalmente inabilitada, e seu filho, Dom João,  assumiu a regência de Portugal. Imagem: Internet.

Muito se discute se Tiradentes foi morto pelo fato de ser o oficial com patente mais baixa entre os militares presos, além de não ser um homem de posses. Portanto, não seria um herói, mas sim o bode expiatório. Os fatos não corroboram essa tese, mas sim indicam que realmente ele suportou toda a pressão e em nenhum momento voltou atrás em seu depoimento. Pesquisadores afirmam que o alferes era o mais eloquente entre os inconfidentes, defendendo suas ideias em qualquer lugar, sem muitos segredos.

Como o único a receber a pena capital, se tornou um mártir. No dia 21 de abril de 1792 foi enforcado na cidade do Rio de Janeiro, e teve seu corpo esquartejado. Sua cabeça foi exposta em praça pública na cidade de Vila rica, e seus membros foram espalhados pela Estrada Real.

Curiosidades

Tiradentes É patrono da nação e único brasileiro que tem o dia sua morte como feriado em todo território nacional.

Nunca usou barba, apesar de várias pinturas o mostrarem um uma vasta cabeleira. Possivelmente, essa mudança física ocorreu ao longo de seus 3 anos na prisão. A primeira imagem conhecida do herói é de 1890, quase 100 anos após sua morte e provavelmente suas vestes e longa barba e cabeleira tinham como objetivo compará-lo a Jesus Cristo, que se sacrificou pelos outros.

Praça Tiradentes em BH, com a estátua do alferes representando o momento de seu enforcamento. Imagem: Internet.

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Pedro Américo, o mesmo pintor do polêmico quadro da independência do Brasil, já discutido em nosso blog no texto 4, também pintou a morte e esquartejamento  de Tiradentes. Terminada em 1893,  mais de 100 anos após o ocorrido, também deve conter imprecisões históricas. Realmente, após 3 anos presos é natural o crescimento de barba e cabelo, mas existe uma corrente que defende o fato dele ter sido barbeado no dia de sua morte. Enfim, dificilmente saberemos a verdade completa.

Quadro de Pedro Américo retratando o esquartejamento de Tiradentes. Imagem: Internet.

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A Praça onde ele foi enforcado hoje se chama Tiradentes, no centro do Rio de Janeiro, assim como também a praça onde sua cabeça foi exposta.

Veja parte da pesada sentença proferida contra Tiradentes:

[…] Portanto condenam o réu Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o Tiradentes, alferes que foi do Regimento pago da Capitania de Minas, a que, com baraço e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca, e nela morra morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e levada a Vila Rica, onde no lugar mais público dela, será pregada em um poste alto, até que o tempo a consuma, e o seu corpo será dividido em quatro quartos, e pregados em postes, pelo caminho de Minas, no sítio da Varginha e das Cebolas, onde o réu teve as suas infames práticas, e os mais nos sítios das maiores povoações, até que o tempo também os consuma, declaram o réu infame, e seus filhos e netos tendo-os, e os seus bens aplicam para o Fisco e Câmara Real, e a casa em que vivia em Vila Rica será arrasada e salgada, para que nunca mais no chão se edifique, e não sendo própria será avaliada e paga a seu dono pelos bens confiscados, e mesmo chão se levantará um padrão pelo qual se conserve em memória a infâmia deste abominável réu; […]

Em 2017 foi lançado o filme “Joaquim” sobre a vida de Tiradentes, confiram o trailer.

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Publicado em 02.05.2018

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