205. Eras Geológicas (Fanerozoico/Paleozoica)

Em nosso último texto abordamos o Pré-Cambriano, e suas 3 grandes divisões. O texto de hoje aborda o Éon mais recente, Fanerozoico, e sua primeira Era, o incrível Paleozoico, o início do que realmente podemos chamar de vida.

IMPORTANTE, mais uma vez avisamos: Ao longo dos próximos textos as datas finais e iniciais das fases podem sofrer algumas modificações em relação ao quadro. Isso é compreensível, levando-se em consideração que existem períodos de transições entre elas, com autores considerando cada uma um pouco maior ou menor. Não se pode “matematizar” algo que não conhecemos completamente. Não é como a história humana onde as datas são mais precisas.

Ao lado, o quadro nos mostra o Éon Fanerozoico, com suas Eras e Períodos. Imagem: Internet.

 

 Fanerozoico – 542 milhões de anos trás aos dias atuais

É o Éon mais recente, uma junção das palavras gregas, phaneros, que significa visível e zóikos, vida. Resumindo, a partir deste momento, começamos a ter vida visível em nosso planeta, já que antes a era um nível primitivo e quase toda microscópica.

Era Paleozoica – 542 a 245 milhões de anos atrás

A palavra deriva do grego palaiós, que significa antigo, e zóikos, vida. Em resumo, vida muito antiga. Dentro desse Éon, onde, enfim, a vida explodiu em espécies, essa é a Era mais antiga. 

Esta Era significa mais da metade do fanerozoico, são 300 milhões de anos. É uma fase que começa e termina com dois importantes acontecimentos, a explosão da vida no Cambriano e a maior extinção em massa que já detectamos, no Permiano, fechando a Era.

Como observado na tabela acima, é dividido em 6 períodos:

Cambriano – 542 a 488 milhões de anos atrás

É tão importante que da nome a tudo que vem antes dele (Pré-cambriano). O nome vem de Cambria, latinização do termo Cymru, como eram chamadas as terras onde hoje estão o País de Gales. Neste local foram encontrados os primeiros fósseis que permitiram compreender melhor esta fase.

Observem como no Cambriano a espécies realmente começaram a evoluir e se diversificar. Imagem: Internet.

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É o momento em que, enfim, a vida começa a se expandir com relativa rapidez pelo planeta. São os primeiros animais com parte mineralizadas e crostas. Provavelmente, os mais famosos são os Trilobitas. Nessa importante fase, também surgiram moluscos, anelídeos, esponjas, entre outros.

Ordoviciano – 488 a 443 milhões de anos atrás

Do latim Ordovices, nome de um antigo povo habitante da região central do País de Gales. Mesma linha de raciocínio do item anterior.

No início desta fase os continentes ainda são desérticos. As formas de vida ainda são invertebradas e marinhas. É o auge dos trilobitas e peixes primitivos.

Existem fortes indícios que no decorrer deste período as plantas, através de esporos, começaram a invadir a terra firme, se espalhando pelos continentes. Junto a flora surgiram também os primeiros insetos.

A Gondwana ainda não estava unida na Pangeia. Se deslocou para o sul, esfriando muito e causando uma enorme extinção em massa. Imagem: Internet.

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Outra característica marcante são os fortes e inúmeros terremotos ocorridos. Um aspecto marcante foi uma grande extinção no final desta fase causado por uma imensa glaciação. O mega continente conhecido como Gondwana se deslocou para o polo sul, esfriando em demasia a região. A maioria (60%) das espécies não conseguiu se adaptar ao clima mais frio.

Siluriano – 443 a 416 milhões de anos atrás

A palavra também vem do latim, neste caso Silures, uma tribo celta que habitava o sul do País de Gales. Como podemos observar, o início do conhecimento do passado da Terra se deu neste pequeno país do Reino Unido.

Este período marca a gradual recuperação da vida após a maciça extinção ocorrida no Ordoviciano. Já podemos observar recifes de corais e plantas terrestres, que já haviam iniciado sua migração a partir do mar na fase anterior. Outras formas de vida que surgiram foram os peixes de água doce e com mandíbulas, além de insetos como centopeias e aranhas.

A partir dessa fase as plantas começam a dominar o cenário mundial. A Cooksonia é a primeira planta vascular ereta conhecida.

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Assim como nos períodos anteriores, toda terra emersa em nosso planeta estava concentrada no hemisfério sul.

Devoniano – 416 a 359 milhões de anos atrás

A palavra deriva do inglês Devon, condado da Inglaterra onde foram descobertos os primeiros fósseis datados desse período. A homenagem a localidade permaneceu, ainda que existam discussões se realmente esses achados eram deste período.

É uma das fases mais importantes para a vida, já que alguns peixes evoluíram a tal ponto de criarem pulmões e, enfim, darem origem aos ancestrais dos anfíbios, vivendo parte de suas vidas fora da água.

O anfíbio Ichthyostega foi um dos primeiros animais a caminharem fora da água, passo importantíssima para a evolução. Imagem: Mundo Pré-Histórico. 

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Outro aspecto muito interessante foi o desenvolvimento das plantas, que alcançaram o tamanho de árvores.

Carbonífero – 359 a 299 milhões de anos atrás

O nome foi criado pelo geólogo britânico William Conybeare, em 1822. O nome é fácil de entender, nesse período se formaram extensas reservas de carvão mineral, devido a quantidade enorme de florestas. Hoje, esses depósitos estão espalhados pela América do Norte, Europa e Ásia. Parte do atual petróleo e xisto betuminoso também foram formandos nessa fase, transformando-a no momento mais importante da história da Terra em termos energéticos.

O Carbonífero ficou marcado como o período de formação do carvão mineral, graças a imensas florestas existentes. Imagem: Internet.

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Um impressionante evento geológico ocorreu neste período. os 3 grandes blocos de terras existentes, Laurásia, Gondwana e Sibéria se chocaram, formando o supercontinente Pangeia. As cadeias dos Apalaches nos EUA e os Montes Urais na Rússia surgiram como consequências dessas colisões.

A fauna continuou sua evolução, com o surgimento dos primeiros répteis, animais que viviam completamente fora da água.

Permiano – 299 a 252 milhões de anos atrás

O nome, como sempre, é uma homenagem ao local onde foram encontrados os primeiros vestígios dessa fase. O local é Perm, antigo reino existente onde hoje é a Rússia. O nome foi escolhido pelo geólogo  Roderick Murchison, em 1841.  

Em termos de evolução da vida temos o surgimento do que a ciência distingue como um dos primeiros ancestrais dos mamíferos, denominados Cinodontes. Uma transição de réptil e a espécie que dominaria o planeta Eras mais tarde.

Os cinodontes tinham características similares a mamíferos e répteis. Imagem: Internet.

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Sem dúvidas, o que marca esse período é um dos maiores acontecimentos da história do planeta, a mega extinção do Perminano.

Toda a superfície emersa estava concentrada na Pangeia, cercada pelo oceano denominado Panthalassa.  Uma parte desse enorme oceano estava relativamente separada em uma enseada, e foi denominada Mar de Tethys. Mais abaixo em nosso texto poeremos observar a Pangeia em uma imagem. Saiba a diferença entre Oceanos e Mares no texto 170. 

Em toda história da Terra tivemos diversas extinções em massa. Ao final desse período ocorreu a maior de todas, pelo menos em termos percentuais. Algum evento catastrófico consumiu cerca de 90/96% de toda vida marinha e 65%/70% das espécies terrestres. Uma catástrofe ainda maior do que a que extinguiu os Dinossauros milhões de anos depois. Esse problema foi tão forte que ficou conhecido como “A mãe de todas as extinções em massa”.

O gráfico mostra as grandes extinções em massa já detectadas pelos estudiosos através do estudo dos fósseis. A extinção do Permiano é a maior de todas. Imagem: Internet.

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Três hipóteses já foram levantadas em relação a causa dessa extinção:

  • A própria formação da Pangeia teria desequilibrado o meio ambiente, diminuindo a quantidade de litorais, importantes habitats para a vida, e formando um mega continente tremendamente seco a medida que se avança em direção ao seu interior, longe do oceano. Essa tese é contestada, já que a formação de algo tão enorme demanda milhões de anos, dando tempo o suficiente para a adaptação das espécies.

A própria formação da Pangeia é tida como uma das hipóteses de causa da grande extinção do Permiano. Imagem: Internet.

  • Uma ou duas gigantescas erupções vulcânicas, ocorridas na região da Sibéria, teriam liberado tanto dióxido de carbono que a temperatura do planeta teria aumentado 5º célsius. Com isso, metano congelado no fundo do oceano teria sido liberado, aumentando o calor em mais 5°. Esses 10° a mais teria sido mortal a maior parte da vida no planeta. O magma solidificado dessas erupções são encontrados ainda hoje na Rússia.

Saiba mais sobre esta teoria no site “Cibéria”.

  • Não podia faltar a hipótese básica e, talvez, a mais aceita, um choque de meteoro com nosso planeta. Duas formações geológicas são candidatas ao local desse impacto, uma no Brasil, denominada Cratera de Araguainha, com 40 Km de diâmetro e 247 milhões de anos. A outra se chama Cratera da Terra de Wilkes, na Austrália,  com gigantescos 480 km de diâmetro e 247 milhões de anos. Esses impactos, ou somente um deles, teria levantado uma quantidade de poeira enorme, tampando o sol,  causando abalos sísmicos e até mesmo a ruptura da Pangeia.

Uma das teorias mais aceitas é de que um meteoro se chocou com a Terra, iniciando um cataclismo fatal. Imagem: Internet.

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Nosso próximo texto continuará o assunto trazendo a atual Era Cenozoica. Muito detalhe interessante vindo por aí.

Espero ter aumentado seu conhecimento. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 18.05.2018

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