4. Independência no Imaginário Coletivo

O historiador Eduardo Bueno, em um programa recente na TV, transformou um fato importante para o Brasil, como foi o “Grito da Independência”, em uma passagem cômica, pitoresca.

Não sei a intenção do jornalista historiador, mas quero analisar o quadro, que, no imaginário dos brasileiros, é o que melhor retrata o momento da Independência. Um quadro de autoria de Pedro Américo e que figura em quase todos os livros de História do Brasil.

CLIQUE PARA AMPLIAR,. Independência ou Morte, Tela de Pedro Américo. Imagem: Internet.

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Uma tela gigantesca (7,60m x 4,15m), retratando o dia 7 de setembro de 1822, um valente Dom Pedro I, cercado pela sua Guarda Imperial, vestidos com uniformes de gala, montados em belíssimos cavalos.

Este foto nos mostra o incrível tamanho da tela está exposta no Museu Paulista. Imagem: Internet.

 

Alguns historiadores discordam em relação ao real cenário do fato.

O motivo inicial é o fato do pintor ter nascido  21 anos depois do famoso grito, só começando a pintar o afresco em 1885. Em 1888, sessenta e seis anos após a declaração da independência o quadro chega ao Brasil. Concordarmos que, em uma época sem fotografias nem filmagens, é bastante complexo a pintura de algo crível, sobre um acontecimento passado em mais de meio século.

Outro forte motivo, é a existência de um quadro, pintado em 1807 por Ernest Meissounier, retratando Napoleão Bonaparte na Batalha de Friedland que apresenta semelhanças com o quadro de Pedro Américo e que serve para a análise do caso.

CLIQUE PARA AMPLIAR. Batalha de Friedland. Tela de Ernest Meissonier. Imagem: Internet.

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O quadro foi pintado por Ernest Meissonier, 81 anos antes de Pedro Américo concluir sua obra, e é admissível a teoria de que o brasileiro se inspirou nele. Dizia Pedro Américo, à época: ¨A arte inspira, não escraviza¨

Outros fatos corroboram a tese de que Pedro Américo se esforçou para florear este momento tão importante:

  • 1. Os estudos indicam que a comitiva do Príncipe regente era bem menor;
  • 2. Naquela época, uma viagem com tamanha distância, mais de 600 Km (Pedro I seguia do Rio de Janeiro até Santos, depois subiria para São Paulo), era feita no lombo de mulas e jumentos, mais adequados ao peso e distância;
  • 3. Não seria crível a Guarda Imperial viajar em trajes de gala. Provavelmente estavam vestindo roupas mais casuais, de algodão, no momento do fato;
  • 4. Historiadores sérios dizem que Dom Pedro estava, nesse dia, com diarreia, devido a excessos cometidos na noite anterior. Portanto a parada estratégica teria sido para se aliviar. Porém, esta parada teria que ser explicada e a solução veio através do Rio Ipiranga, suposta fonte de água para a tropa. O grito teria sido dado em outro local próximo, não exatamente a beira do rio, como mostra a tela, mas em uma colina próxima. Estudos dizem que o ponto exato se encontra a 400 metros da margem.
  • 5. O quadro foi pintado por encomenda da família real brasileira, descendentes de Dom Pedro I, só isso já seria um motivo de desconfiança.
  • 6. No canto esquerdo da tela podemos observar camponeses admirados com a ação de Dom Pedro. Pessoas simples que teriam sido testemunhas do fato, dando a ele uma abrangência popular. O detalhe é que nada indica que cidadãos comuns tenham visto a ação fora do círculo pessoal do Imperador.
  • 7. A Casa do Grito, como é conhecida a única construção existente no quadro, não existia no momento histórico. Só exitem relatos dela a partir de 1884, 62 anos após o acontecido, e um ano antes da pintura ser produzida.
  • 8. Para finalizar, alguns historiadores acreditam que um dos homens ao lado de Dom Pedro é o próprio Pedro Américo, que teria si colocado neste importante acontecimento, mesmo só tendo nascido décadas depois do ocorrido.

Fala do Trono, 1873, Museu Imperial. Outro quadro pintado por Pedro Américo retratando, dessa vez, Dom Pedro II. Demonstra sua boa relação com a família real. Imagem: Internet.

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Dizem que a história é escrita pelos “vencedores”, todos eles homens, sujeitos a erros, desejos,  imparcialidades e preferências. Esta é uma das histórias do Brasil que serão contadas até o final dos tempos e não haverá quem determine o que é fato ou versão.

O quadro, então, teve um missão de simbolizar o importante acontecimento, não necessariamente sendo fiel a ele.

Acredito que contribui para a polêmica, espero ter aumentado seu conhecimento. Curtam nossa página no Facebook e compartilhem nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 08.02.2015

7 comments to “4. Independência no Imaginário Coletivo”
    • Com certeza as elites, como quase tudo que ocorre no Brasil. O Povo pouco sentiu a diferença entre ser colônia ou não. desgastado, o governo de Dom Pedro I entrou logo em colapso.

  1. Esta é a Independência mais fajuta do mundo. Mas pelo menos não fez um mal tão grande ao país como a vinda da corte momesca (ops!) para o Brasil.
    Talvez estejamos sofrendo os efeitos da fajutice desta independência nos dias de hoje, Perto de 200 anos, somos independentes mas manda quem pensa como os colonizadores e imperialistas. E ainda tem gente que defende que deveríamos voltar a regime monarquista.

  2. Caro Colega Cleber, quero lembrar que ainda corre a suspeita que nosso Imperador estaria sozinho, ou pouco acompanhantes, nesta viagem, pois é certo que ele mantinha um caso com a Marquesa de Santo – Domitila.

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