221. Nelson Mandela e o Abominável Apartheid

Para nosso blog, Nelson Mandela, Martin Luther King e Mahatma Gandhi, são os 3 grandes ícones da paz mundial. A força que emanaram em prol da igualdade irá repercutir por séculos.

Gandhi foi protagonista em 2 posts em nosso blog, começando pelo texto 98. Agora, chegou a vez do sul-africano mais importante de todos os tempos.

Madiba e Contexto Histórico

Nelson Rolihlahla Mandela, conhecido carinhosamente como Madiba, nasceu na pequena vila de Mvezo, no dia 18 de julho de 1918.

Veio ao mundo em uma região denominada União Sul-Africana, colonizada pelo Reino Unido desde a Guerra dos Boeres¹ (1899-1902).

Somente em 31 de maio de 1961 a nação tornou-se completamente independente da Inglaterra.

Como o nome dá diz, a África do Sul é a ponta sul do continente. Atualmente tem uma população de 56 milhões de pessoas, e uma área de 1,22 milhão de Km². Imagem: Internet.

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Ás vezes não compreendemos o atraso social de alguns países africanos, mas a independência sul-africana veio 139 anos depois da brasileira. Um absurdo.

Apartheid

A separação entre as etnias sempre ocorreu na região, independente se governada pelos holandeses ou pelos britânicos. Como exemplo, em 1913, 5 anos antes do nascimento de Mandela, foi aprovado o  “Ato da Terra”, que destinava 87% da área do país a minoria branca, ficando a maioria negra concentrada no restante.

A situação se aprofundou com a chegada ao poder do Partido Nacional, em 1948, formado por descendentes de imigrantes europeus estabelecidos no país em décadas anteriores. A discriminação racial sempre existiu na região, mas se intensificou e se tornou oficial com os seguidos governos desse infame grupo.

Apartheid foi o nome dado a esse sistema, que entrou para a história com uma das situações mais grotescas da história. No idioma africânder a palavra significa separar, apartar, e é exatamente isso que ela assegurava.

As pessoas do país foram divididas em raças: brancos, negros e colored (pardos e asiáticos).  Nesse sistema excludente, só os brancos, uma minoria no país, tinham acesso aos votos, por isso a perpetuação no poder do Partido Nacional.

O governo racista criou os bantustões, mini repúblicas onde os negros deveriam viver com governos próprios, porém, atrelados ao governo central da África do Sul. Eles representavam 13% do território, dividido entre 10 etnias negras (80% da população). Imagem: Internet.

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Negros não podiam comprar imóveis em determinados locais, assim como a circulação pelos bairros da cidade era restrita. A relação sexual  e casamento entre as raças eram proibidos. Mesmo nas situações mínimas, como banheiros e bebedouros, existia a separação. As melhores praias do lindo país eram reservadas a elite branca.

Os mestiços e asiáticos, em um grau menor, também eram discriminados.

Placa informando que aquela praia era somente para brancos. Imagem: Internet.

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A Resistência de Nelson Mandela

A história de Mandela se entrelaça ao Apartheid. Em 1934 ele se mudou para Fort Beaufort, onde ingressou no curso de direito na Universidade de Fort Hare, na cidade de Alice. Logo em seu primeiro ano aderiu ao  movimento estudantil que lutava pela igualdade no país.

Em 1944, junto ao amigo Oliver Tambo,  fundou a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA), partido que representava a maioria negra do país. Anos mais tarde, em 1951, já com o Apartheid em operação, Mandela chegou ao cargo de vice-presidente nacional da organização.

Oliver Tambo e Nelson Mandela, os grandes ícones da resistência ao regime. Imagem: Internet.

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A trajetória de Mandela sempre foi marcada pela luta pacífica, discursos inflamados e a desobediência civil. O detalhe é que a medida que os protestos ficavam mais fortes, o regime se tornava cada vez mais violento e excludente.

Em 1960, no auge do regime, a polícia matou 69 negros, no que ficou conhecido como o massacre de Sharpeville. Outras 20 mil pessoas foram detidas. A situação estava chegando a um limite perigoso.

Em 1961 a África do Sul foi declara República e as coisas não melhoraram. Cansados de lutar de forma pacífica, Mandela e seus militantes criaram o braço armado da CNA. A partir desse momento, Madiba abandonou o movimento pacífico e aderiu a luta armada, inclusive tendo indo a Etiópia para ser treinado militarmente.

Neste período, em que o mundo vivia várias revoluções, como a cubana em 1959, Mandela passou a ostentar uma barba e vestir roupas camufladas.

Selo lançada na URSS em homenagem a Mandela. Mostrando que o mundo socialista apoiava a luta do sul-africano. Imagem: Internet.

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Por causa dessa fase revolucionária, Mandela muitas vezes foi confundido como comunista, tendo inclusive recebido um selo comemorativo na antiga URSS. Obviamente, ele não se enquadra nesse perfil. Acreditamos que foi a forma que ele encontrou para lutar contra os racistas em seu país, algo similar a outras revoluções que ocorriam pelo mundo naquela época.

Prisão

Após um giro pelo continente africano, Mandela voltou a África do Sul, onde foi preso em 5 de agosto de 1962. A princípio teria uma pena menor (5 anos), por ter viajado sem o pedido de um passaporte. Entretanto, após a sua detenção a polícia local estourou um cativeiro onde achou diversos documentos incriminando o líder da insurreição.

Existem fortes rumores que a CIA norte-americana esteve envolvida na captura de Mandela, tido como terrorista pelos governantes sul-africanos.

Em um julgamento, evidentemente de cartas marcadas para condená-lo, Mandela teve a hombridade de falar que lutava por uma sociedade livre e democrática, e que estava disposto a morrer por isso. Os juízes não se sensibilizaram, em 11 de junho de 1964, Madiba recebeu a sentença de prisão perpétua.

Ficou 20 anos (1962-82) preso na Ilha do Roben, com vista para a Cidade do Cabo. Nessas duas décadas, perdeu a mãe, um filho e inúmeros companheiros de luta que morreram, sem que ele sequer pudesse se despedir.

Mandela ficou cerca de 20 anos preso em  Robben Island, a 11 km da Cidade do Cabo. Imagem: Internet.

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Após duas décadas foi transferido para a Prisão de Pollsmor, no continente, onde ficou por mais 6 anos. Dessa forma ficava mais fácil de sua família o visitar, inclusive sua esposa, Winnie Madikizela-Mandela .

Em 1973 a Assembleia Geral da ONU condenou o Apartheid como crime, e o governo racista passou a ficar cada vez mais isolado. A medida que Mandela ficava preso, recebia honrarias mundo a fora, e a África do Sul se tornava um país completamente excluído, proibido, inclusive, de participar de qualquer competição esportiva internacional.

Libertação, Presidência e Legado

Em 1988, pressionado pela comunidade internacional o regime estava próximo do fim. Mandela pegou tuberculose, foi tratado e transferido para uma prisão onde ocupava um chalé, com piscina e cozinheiro próprio. Ele já havia se tornado o maior símbolo da luta contra o Apartheid, e já não era mais um cidadão da África do Sul, mas um nome mundial.

Em 1990, enfim, Madiba foi solto, após 28 anos na prisão. Ao contrário do que muitos imaginavam, saiu tranquilo, com um discurso conciliador, mesmo após tanto sofrimento. Em 1991 foi eleito presidente da CNA e passou a visitar países de todo o mundo.

Mandela após a saída da prisão. Imagem: Internet.

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O prêmio Nobel da paz veio em 1993, junto a Frederik Willem de Klerk,  líder do Partido Nacional e presidente do país durante a transição para a democracia plena.

Em 1992, uma nova constituição foi criada, dando direito a todos votarem. Em 1994, como era de se esperar, Nelson Mandela foi eleito presidente do país, com 62% dos votos.

Governou o país entre 1994 e 1999. Promoveu enorme investimento em educação, assim como ampliou o acesso a rede pública de saúde.

Inúmeros filmes foram feitos sobre a vida de Madiba, confira no site EspalhaFactos. Entre eles, o grande destaque é Invictus, de 2009, relacionado a como o  rugby ajudou a unir o país após a segregação.

Filme Invictus, imperdível. Imagem: Internet.

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Evidentemente, não resolveu os problemas seculares do país, mas deu sua contribuição no caminho de uma maior igualdade, ainda muito distante nos dias de hoje. Outra questão não resolvida foi a infestação de AIDS, que inclusive levou a morte de um de seus filhos.

De toda forma, foi um marco muito importante, o primeiro presidente negro, de um país majoritariamente negro. Tudo isso sempre de forma pacífica, conciliadora, sem qualquer mágoa de seus algozes, ainda presentes no país.

Mandela sempre com um sorriso no rosto. Imagem: Internet.

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Morreu no dia 5 de dezembro de 2013, aos 95 anos, em sua casa na cidade de Joanesburgo. Um homem preso por intermináveis 28 anos, saiu da prisão com um sorriso no rosto e a paz em seu discurso.

Em tempos tão sombrios como vivemos hoje no mundo, com tamanha intolerância, Mandela deixou um  legado de transigência, flexibilidade em relação ao diferente, que deve ser lembrado por todos. Fica aqui a contribuição de nosso blog para tal.

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1 – Guerra dos Boeres: Foi o conflito entre os colonizadores holandeses que viviam na África do Sul, chamados de boers, e o Império Britânico. Isso ocorreu após a descoberta de minas de diamante e ouro no país, o que aguçou o interesse britânico pela região. O resultado foi a incorporação das repúblicas bôeres do Transvaal e Orange às colônias britânicas do Cabo e Natal, formando a União Sul-Africana.

2 comments to “221. Nelson Mandela e o Abominável Apartheid”

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