225. Revolução Francesa (Queda da Bastilha -1789)

Em nosso último texto observamos que a França se encontrava em uma situação insustentável ao final do século XVIII. O país possuía, naquele momento, 25 milhões de habitantes, com cerca de 500 mil privilegiados (clero e nobreza) em detrimento ao restante.

O Estado francês estava quebrado, as dívidas, parte delas causadas pela ajuda na Independência dos EUA, sugavam metade do orçamento do governo.

Entre 1787 e 1789 a situação ficou particularmente mais difícil, devido a uma colheita muito fraca causada por intempéries climáticas. Saques e roubos eram corriqueiros nas cidades e propriedades rurais eram constantemente  invadidas por miseráveis em busca de comida.

No fatídico ano de 1789, o rei Luiz XVI estava encurralado. Sem muitas opções, convocou os a Assembleia dos Estados Gerais¹, algo que não ocorria desde 1614. A burguesia, conhecida como 3° Estado, sabia que perderia qualquer votação para os dois primeiros Estados, que votavam juntos, então pediu que os votos fossem individualizados, “um homem, um voto”. Assim, com um contingente maior de representantes, poderia fazer valer suas ideias.

*No texto anterior explicamos sobre os 3 Estados franceses.

Sessão inaugural dos Estados Gerais em 1789. Pintura de Auguste Couder.

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A situação chegou a um impasse. Como era de se esperar, os burgueses perceberam que as discussões eram inócuas, frente a aliança entre nobres e a Igreja. Então, o 3º Estado se retirou para outra sala, se auto proclamando uma Assembleia Nacional Constituinte, algo relativamente parecido com o congresso brasileiro de hoje. Se diziam os verdadeiros representantes do povo.

A imagem ilustra a união entre o 3º Estado e parte do 1º Estado (baixo clero), no que chamamos de Assembleia Nacional. Pintura “O juramento na Sala de Jogo de Paume”, de Jean-Louis David.

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Em uma série de decisões equivocadas, o rei Luiz XVI demitiu o seu ministro das finanças,  Jacques Necker, homem que havia tentado impor impostos sobre as propriedades do clero e da nobreza, algo muito salutar na visão popular. Além disso, convocou o exército contra os burgueses, acusados de traição.

Diante de tais situações, a sofrida população tomou as ruas de Paris, em apoio aos burgueses e contra o rei.

Queda da Bastilha

O dia 14 de julho de 1789 ficou marcado na história como o estopim que deu início a Revolução Francesa. Uma multidão invadiu um arsenal do exército, tomando milhares de mosquetes. Após se armarem, foram direto a Bastilha, fortaleza para onde o rei enviava seus maiores inimigos.

Litografia da Batilha, construída no século XIV e destruída durante a Revolução Francesa. Em 1789  estava praticamente em desuso, ainda assim, a fortaleza representava o poder monárquico e o ódio do rei a seus opositores. Imagem: Internet.

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Em meio ao caos popular, os burgueses transformaram milícias na Guarda Nacional, tanto para se proteger de uma possível retaliação real, quanto para se prevenir de um possível ataque da própria população descontrolada.

Tomando as rédeas do país, os constituintes aboliram os privilégios das elites e, no dia 26 de agosto de 1789, promulgam a  Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.

O texto defendia  as ideias  iluministas de liberdade, igualdade e fraternidade entre todos os humanos. Entrou para a história, como o precursor dos direitos humanos, tão importantes hoje em dia, mesmo que ainda negligenciados pelo mundo afora.

A queda da Bastilha é o ponto inicial da Revolução Francesa propriamente dita. Os anos que vieram a seguir podem ser divididos em 3 períodos, completamente tumultuados e cheios de reviravoltas:

Primeira Fase – Monarquia Constitucional (14 de julho de 1789  a 5 de setembro de 1793)

Com o rei relegado a um segundo plano, bens do clero foram confiscados, e todos os membros da igreja se tornaram funcionários públicos, podendo ser presos em caso de desobediência.

O rei e sua esposa, Maria Antonieta, acusados de extraordinários gastos e extravagâncias, ficaram presos no palácio das Tulheiras por dois anos.

Muito se comenta sobre o caráter da rainha, que teria dito a um cidadão que reclamava pela falta de comida, em especial o tradicional pão: “Se não tem pão, que comam brioches”. A Folha de São Paulo fez uma interessante reportagem sobre este polêmico episódio, confiram. 

Em 1791 foi promulgada a 1º Constituição francesa, prevendo a tri partição do poder, como propunha Voltaire. Neste momento inicial, foi criada uma monarquia constitucional/parlamentarista, algo parecido com o que ocorre no Reino Unido atualmente.

O rei teve seus poderes reduzidos frente aos 745 parlamentares escolhidos por voto censitário. A própria forma de eleição, sem o voto universal, nos mostra que a luta dos burgueses não era exatamente por uma democracia plena. Na verdade, o governo mudou de mãos, passando da monarquia para a alta burguesia, sem passar pelo povo.

Ao final desse período, Luiz XVI e sua esposa foram executados, por traição a nação, após cinematográfica tentativa de fuga para a Áustria, terra natal da rainha.

A pintura retrata a prisão de Luiz XVI e sua esposa, disfarçados, tentando chegar a Áustria. O episódio ficou conhecido com a “fuga de Verennes”, cidade onde foram capturados. A tentativa sepultou de vez qualquer possibilidade de continuidade no poder, mesmo que de forma ilustrativa. Pintura de Thomas Falcon Marshall.

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Ao final desse período o poder estava nas mãos do Conselho Executivo Provisório, liderado pelo advogado George-Jacques Danton.

Próximo Texto

Na semana que vem encerraremos esse importante capítulo da história. Vem ai o período mais macabro da memória francesa, a segunda fase da revolução, chamada simplesmente de Terror.

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1 – Assembleia dos Estados Gerais: Eram uma série de reuniões consultivas convocadas pelo rei. O problema é que cada um dos 3 Estados (clero, nobreza e burguesia) tinham um voto. Assim, clero e nobreza, juntos e privilegiados, sempre votavam juntos, mantendo as regalias.