227. Macedônia, Nome da Discórdia

APOIO : Colégio Cotemig

Se já não bastassem os problemas econômicos vividos pela Grécia, tema abordado em nosso blog no texto 50, uma nova questão vem abalando a tranquilidade do país. É uma questão aparentemente simples, um mero nome, mas para a população grega se tornou questão de honra.

Antes de mergulharmos no problema vamos conhecer os “personagens” envolvidos:

Grécia

É considerada o berço da civilização ocidental. Encontra-se em uma das bordas da Europa, fazendo fronteira com Albânia, Macedônia e Bulgária, além da rival histórica Turquia. Possui uma área de 131.957 km², algo próximo ao estado do Amapá (142,8 km²).

O país concentra um PIB de US$ 195 bilhões (47º posição mundial), grande parte disso alavancado pelo turismo. Seu PIB per capita gira em torno de US$ 27 mil.

Grécia e seus vizinhos. Imagem: Internet.

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O país possui cerca de 11,7 milhões de habitantes, dos quais, 3 milhões vivem nos arredores da capital Atenas. Como já mencionado antes, o país vive uma crise econômica que se arrasta desde 2008.

Macedônia

Foi criada após a dissolução da Iugoslávia, em 8 de setembro de 1991, tema já abordado em nosso blog no texto 63. É um jovem país, apesar da região ser absurdamente antiga e cheia de história. Possui uma área de 25.713 km², parecida com a do estado de Alagoas (27,7 Km²).

Concentra um PIB muito pequeno, apenas US$ 11 bilhões (131° mundial), sendo uma das nações mais pobres da Europa. Mesmo assim, possui um PIB per capita de US$ 15 mil, maior que o do Brasil, que gira em torno dos US$ 10 mil.

A população do país é pequena, apenas 2,25 milhões de habitantes, menor que a da cidade de Belo Horizonte (2,5 milhões). Sua capital é Skopje.

O Problema

A  questão teve início logo no desmembramento da Iugoslávia. Assim que o nome Macedônia foi escolhido, gerou imediata ira nos gregos, já que a antiga Macedônia, berço do gigantesco império de Alexandre o Grande, é um nome umbilicalmente ligado a Grécia. Inclusive, existe uma região no norte grego  com o mesmo nome.

Macedônia é um nome que sempre esteve ligado a região norte da Grécia. Entretanto, em alguns momentos da história, a região vizinha (República da Macedônia) também fez parte deste império. Imagem: Internet.

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A antiga região macedônica realmente foi expandida para países como a atual Macedônia, Bulgária e Albânia, além é claro, da Grécia. Mas tendo em seu território a origem do nome, fato que gera grande orgulho no país, os gregos sempre acusaram o vizinho de apropriação cultural.

Em vermelho a Macedônia étnica, ligada ao antigo império de Alexandre. Percebam que a atual Macedônia está sim dentro dessa região, mesmo sabendo que o norte grego é o berço do nome e cultura. Imagem: Internet.

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Não só a questão do nome incomoda. Ao ter um país vizinho chamado Macedônia, os gregos temem que em algum momento do futuro, essa nação possa pleitear a incorporação do norte da Grécia a seu território, já que possuem o mesmo nome. Dessa forma, se apropriando do que outrora fora o império de Alexandre.

Para os macedônios o problema gera consequências enormes, já que os gregos vetam a entrada do país, tanto na União Europeia, que necessita da aprovação de todos, quanto na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

Desde a sua independência a nação tem problemas com o nome, sendo reconhecida por alguns organismos internacionais pelo estranho nome de Antiga República Iugoslava da Macedônia. União Europeia e OTAN tratam a nação por esta designação. Entretanto, a maioria dos países do mundo a reconhecem simplesmente como República da Macedônia.

Macedônia do Norte

Em 17 de junho de 2018 uma luz no fim do túnel. Os governos dos dois países assinaram um acordo, se comprometendo a resolver o problema. Os macedônios se comprometeram a mudar o nome do país para Macedônia do Norte. Em contrapartida, a Grécia levantaria os vetos contra os vizinhos. O acordo deveria ser ratificado pelos parlamentos dos dois países, o que ocorreu primeiro pelo lado macedônio.

O problema veio quando o parlamento grego foi votar a questão no dia 20 de janeiro de 2019. Milhares de gregos foram as ruas contrários ao tratado negociado pelo primeiro-ministro Alexis Tsipras. Com enorme uso de violência, manifestantes tentaram, inclusive, invadir a seção onde se discutia a querela.

Os gregos insistiram que somente eles possuem o direito histórico de usar o termo Macedônia.

Segundo estimativas mais de 1 milhão de gregos foram as ruas protestar contra o acordo. Imagem: Internet.

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“A Macedônia é Grega, é a minha pátria, onde nasci e cresci. A Macedônia não pode ser Skopje, que é uma comunidade Eslava, que antes da II Guerra Mundial se chamava Vardaska. Tito fez a alteração para Macedônia, mas não está correto. A Macedônia é a pátria de Alexandre Magno”, disse, uma manifestante. Vejam a intensidade dos protestos  no site Tvi24, fonte deste depoimento.

Segundo os organizadores, 1,5 milhão de pessoas saíram as ruas de Atenas contra o acordo. Algo surreal, levando-se em consideração a temática do problema. Imagem: Internet.

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Solução?

Na última sexta feira, 08 de fevereiro de 2019, o parlamento grego aprovou a entrada da macedônia na OTAN, após o país mudar de nome. Foram 153 votos a favor e 140 contra, um resultado relativamente apertado, veja no site G1. Para os gregos é interessante comercialmente ter mais um vizinho na União Europeia também, fato que deve ocorrer em breve.

Essa Europa…

Impressiona como a Europa é generosa em criar este tipo de problemas entre vizinhos. Separatismos, disputas territoriais e, neste caso, até mesmo pelo nome. Um continente tão evoluído socialmente, parece sempre derrapar em situações básicas e rivalidades seculares.

Para exemplificar o que afirmamos, trouxemos abaixo alguns textos que demonstram problemas modernos gerados por dificuldade de relacionamentos entre vizinhos europeus:

184. Uma Bélgica Fraturada

183. Catalunha Não é Espanha

151. A Atribulada Questão Cipriota

130. Blocos Econômicos: Brexit

85. Euskadi Ta Askatasuna – ETA

63. Guerra nos Balcãs

43. Disputa por Gibraltar

Espero ter aumentado seu conhecimento. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!