232. O Gigante Brasileiro

APOIO : Colégio Cotemig

O post de hoje é uma reverência a Irineu Evangelista de Sousa, o primeiro grande industrial do Brasil. Pragmático, sua capacidade de identificar oportunidades era descomunal. Lembra os gigantes industriais norte-americanos: John D. Rockefeller, Cornelius Vanderbilt, Andrew Carnegie, Henry Ford e J.P. Morgan.

História

Nasceu em 28 de dezembro de 1813, na Vila de Nossa Senhora da Conceição do Arroio Grande, localizada na então Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, atual Rio Grande do Sul.

Naquele momento da história, Arroio Grande era um distrito de Jaguarão, na divisa com o atual Uruguai. Irineu nasceu em um momento anterior a anexação do nosso vizinho pelo  Brasil (1817-1828), culminando com a Guerra da Cisplatina.

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Aos 5 anos de idade ficou órfão de pai e aos 8 foi entregue a um tio para ser criado. Com outro tio, comandante de navio, chegou a capital do Brasil, Rio de Janeiro, com apenas 9 anos de idade. Hoje parece um absurdo, mas nessa idade tão pequena ela já foi empregado em um armazém, trabalhando algo próximo a 15 horas por dia. O pagamento era comida e moradia.

O Gigante Industrial

Trabalhando no comércio desde muito jovem, foi trocando de emprego e,  aos 23 anos de idade,  já era sócio de uma empresa de importação. Em 1840 fez uma visita a Inglaterra, berço da Revolução Industrial, percebendo que o Brasil tinha condições para também entrar no mundo industrializado.

Em 1844, foi implementada no Brasil a “Tarifa Alves Branco”, aumentando os impostos sobre produtos importados. Itens não fabricados por aqui seriam taxados em 30%, já sobre produtos com similar nacional a tarifa passou para 60%. Era a chance de Irineu.

Vendeu sua parte nos negócios e comprou uma pequena fundição na Ponta da Areia, Niterói. Em pouco tempo a indústria já estava construindo navios, se tornando um estaleiro. Com o tempo vieram canos, armas, guindastes, máquinas, postes, engenhos de açúcar, entre outros. Irineu se tornou o homem mais rico do país.

Foto atual do Estaleiro Mauá, localizado onde antes estava a Fundição Ponta de Areia, Niterói. O nome, evidentemente, é uma homenagem ao nosso personagem de hoje. Imagem: Internet.

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Com o fim do tráfico de escravos, através da “Lei Eusébio de Queirós” de 1850, enormes recursos, antes alocados nessa atividade, ficaram disponíveis. Irineu rapidamente compreendeu o momento e também abriu um banco, considerado tão grande que se chamava Banco do Brasil de Mauá, com filiais em Londres, Nova York, Buenos Aires e Montevidéu.

Outros Empreendimentos

Como grande visionário, levou a frente um projeto de iluminação a gás nas ruas do Rio de Janeiro, substituindo os antigos lampiões que funcionavam com óleo de baleia. Para isso criou uma companhia de gás, tirando a cidade da penumbra.  Aproveitando de seu estaleiro, também criou a Companhia de navegação do Amazonas, em 1852.

Imagem: Internet.

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Foi o responsável, em 1854, por criar a primeira ferrovia da América Latina, ligando o porto de Mauá, na Baía da Guanabara, ao pé da Serra da Estrela. Inicialmente tinha 14 km, mas a ideia era subir o enorme paredão natural,  conectando a baixada com as regiões produtoras de café na região mais alta. Por este feito e serviços prestados ao império recebeu o título de Barão de Mauá.

Pintura retratando o Barão de Mauá. Imagem: Internet.

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Participou de uma companhia de bondes no Rio de Janeiro, puxados por tração animal. Foi acionista da segunda ferrovia construída no Brasil, a “Recife and São Francisco Railway Company”, com o objetivo de escoar o açúcar nordestino. Também começou a construir a “São Paulo Railway”, lingando Santos a Jundiaí, neste caso, escoando café.

Outra obra do Barão foi a criação do Canal do Mangue, no centro do Rio de Janeiro, urbanizando uma área pantanosa. Imagem: Internet.

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Em um determinado momento, seu patrimônio representava 20% do PIB brasileiro, maior que o orçamento imperial. Um fenômeno!

Decadência, Inveja e Boicote

A grande verdade é que Dom Pedro II, e seus conselheiros, viam com grande desconfiança o sucesso do Barão. Acreditavam que tamanho poder financeiro não poderia estar concentrado em um único homem. Ao mesmo tempo em que o governo imperial não realizava as obras, se preocupava com quem tinha coragem de fazer.

Mauá e Dom Pedro II. Eram vizinhos, mas existia uma disputa velada entre os dois. Imagem: Internet.

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O governo imperial nunca esteve confortável com obras tão importantes sendo conduzidas pelo setor privado.

Um bom exemplo do que citamos ocorreu em 1853, quando Dom Pedro II, influenciado pelo ministro Joaquim José Rodrigues Torres, forçou Mauá a vender seu banco ao império, sendo fundido com o Banco Comercial do Rio de Janeiro, surgindo o atual Banco do Brasil.

Mauá era abolicionista, economicamente liberal e contrário a Guerra do Paraguai, posições que confrontavam diretamente os interesses imperiais. Na visão dele, um bom governo é aquele que não atrapalha quem quer produzir.

Tendo sido deputado pelo Rio Grande do Sul várias vezes, mantinha grande contato com os vizinhos platinos, tendo interferido em assuntos estrangeiros, ajudado financeiramente os liberais sitiados em Montevidéu no ano de 1850. Todos esses fatos, somados, geraram grandes inimigos na política brasileira.

Seus negócios foram várias vezes sabotados. Em 1857, veio o maior golpe, sua fundição foi completamente destruída por um incêndio criminoso. Resiliente, Mauá gastou quase tudo que tinha e reconstruiu. Quando reinaugurou a fábrica, veio a “Tarifa Silva e Ferraz”, de 1860, reduzindo os impostos sobre as importações de máquinas e metais. Com melhor tecnologia, os produtos ingleses inundaram o Brasil.

Mauá em 1884.

Em dezembro de 1873, já decadente, nosso intrépido empreendedor ainda concluiu o cabo submarino que conectou Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belém. A partir daquele momento todas essas cidades estavam ligadas por mensagens telegráficas. No mesmo dia do feito foi elevado a Visconde de Mauá. Em 1874, o cabo chegou a Europa.

Como vimos anteriormente, continuou tentando, até que em 1875 seu novo banco também quebrou. Pediu moratória para pagar seus credores e encerrou as grandes atividades como industrial.

Aos 70 anos de idade, após todas as dívidas completamente pagas, mudou-se para Petrópolis, indo trabalhar como corretor de café. Morreu em 1889,  aos 76 anos (pouco antes da Proclamação da República), em uma situação financeira razoável. Foi sepultado no cemitério São Francisco de Paula (Catumbi) , Rio de Janeiro.

Equivocado, o governo imperial preferiu continuar escravocrata e rural, importando produtos industrializados. Como disse o historiador Eduardo Bueno, com uns 5 “Mauás” daria para fazer um ótimo Brasil.

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