234. Proclamação da República (1889)

APOIO : Colégio Cotemig

Nosso último texto abordou o 2º Reinado e seus principais acontecimentos. Como tudo tem um começo e um fim, a era de Dom Pedro II, o governante mais longevo do Brasil, chegou ao seu capítulo final.

Proclamação da República

Dom Pedro II aos 61 anos, em 1887. Dois anos antes do Império cair, nosso governante já dava claros sinais de cansaço. Lembramos que ele foi empossado aos 14 anos de idade. Imagem: Internet.

Em 1889 o império de Dom Pedro II dava inúmeros sinais de desgaste.

A Igreja Católica não estava satisfeita com o Padroado, sistema jurídico que permitia ao imperador interferir nos assuntos eclesiásticos. Outro ponto de discórdia era o fato de Dom Pedro II ser ligado a maçonaria, algo que havia sido condenado pelo Papa da época.

Os cafeicultores não estavam confortáveis com a Lei Áurea. Até mesmo os que já usavam imigrantes europeus queriam uma mudança de regime para ter maior voz dentro do governo. Em resumo, o imperador desagradou os abolicionistas, pela demora em acabar com a escravidão, além dos escravistas, através da própria abolição. Brasil é um país complexo.

A classe média urbana ia pelo mesmo caminho, vendo a monarquia como um empecilho a suas pretensões de maior participação no poder.

As forças armadas, fortalecidas pela retumbante vitória no Paraguai em 1870, também viam em seu seio o crescimento do movimento republicano, já que não se sentiam valorizados pelo monarca. Toda cúpula do governo era civil, sem participação militar. Até mesmo ir na imprensa dar as suas opiniões era vetado aos oficiais e soldados.

A tudo isso podemos acrescentar a corrupção no governo (Parece estar no DNA deste país), a centralização do poder nas mãos do imperador, censura e um aumento da dívida externa, causada pela própria Guerra do Paraguai. Os empréstimos brasileiros saltaram de três milhões de libras em 1871 para quase 20 milhões em 1889.

Para piorar, impostos e taxas foram aumentados, tirando poder de compra da população. Um final melancólico para a monarquia.

Marechal Deodoro

O Marechal Deodoro da Fonseca, um dos heróis da Guerra do Paraguai e líder do exército, era monarquista, mas foi persuadido pelas lideranças militares a tomar a frente do golpe. Uma das formas de convencer o doente marechal foi circular um boato de que ele seria preso, por envolvimento em um golpe militar contra o imperador.

Um ponto adicional foi o fato de Deodoro saber que partir de 20 de novembro, um antigo rival pessoal dele, Silveira Martins, seria o novo Presidente do Conselho de Ministros.

Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil. Imagem: Internet.

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A Proclamação da República foi bizarramente simples. No dia 15 de novembro de 1889,  Deodoro, que havia passado a noite com febre e dificuldades para respirar, saiu de casa e foi em direção a um batalhão do exército. Persuadido pelos seus companheiros de farda, foi disposto a ser o estopim do levante. Chegando lá, subiu em um cavalo, tirou o chapéu e disse “Viva a República”. Desceu do animal e foi para casa novamente.

Pintura retratando o momento em que Deodoro proclamou a República no Brasil. Imagem: Internet.

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O operacional foi feito por um grupo de 600 militares que foram até o quartel-general do Rio de Janeiro e depois ao Ministério da Guerra. No Paço imperial, concluíram o maior objetivo, prender o presidente do Gabinete Ministerial, Afonso Celso de Assis Figueiredo, o Visconde de Ouro Preto.

O governante tentou resistir, apelando para que o general Floriano Peixoto, com suas tropas, enfrentasse os revoltosos. Floriano se recusou a enfrentar o próprio exército brasileiro e aderiu ao movimento, prendendo o próprio Visconde.

Apoio Popular?

Assim como foi na “Independência do Brasil”, a “Proclamação da República” não foi um ato de cunho popular, mas sim escorado nos militares e nas elites do país.

Vários políticos que participavam da monarquia continuaram no poder ao longo da república que surgia, mostrando que o problema não era exatamente o modelo de governo, e sim a manutenção dos privilégios a determinados setores.

Família Real

No dia 15 de novembro Dom Pedro II estava em Petrópolis. Quando ficou sabendo do levante desceu para o Rio de Janeiro, imaginando que o problema era somente com o Gabinete Ministerial. Ao major Frederico Sólon de Sampaio ficou a missão de entregar ao imperador a carta indicando a  instauração do novo modelo de governo, ordenando sua partida, assim como de sua família, para a Europa.

Pedro, já cansado do cargo que assumiu aos 14 anos de idade, como mostrado por cartas a uma confidente, aceitou a situação, até por perceber que não tinha o apoio dos militares.

No dia 16 de novembro a família real ficou confinada no Paço Imperial. No dia seguinte zarpou para a Europa. Era imprescindível para os republicanos a saída imediata do imperador, evitando qualquer tipo de manifestação a favor dele.

Última foto da família imperial no Brasil, 1889. Imagem: Internet.

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Possivelmente de desgosto, Pedro morreu dois anos depois, aos 66 anos de idade.  Hoje, essa idade é atingida pela maioria da nossa sociedade, mas na época era considerada avançada. Somente na década de 1920 os descentes puderam retornar ao Brasil.

Sendo assim, Deodoro se tornou o 1º Presidente dos Estados Unidos do Brasil (Nome escolhido para nosso país, durando até 1967).

A Bandeira da Discórdia

Durante a correria que foi a mudança de governo, lembraram que precisávamos de uma nova bandeira. O republicano Lopes Trovão chegou com uma ideia nada inspiradora:

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Os EUA eram um exemplo para os republicanos, então, copiaram descaradamente sua bandeira, trazendo até mesmo as 13 listras, que lá fazem sentido, representando os 13 estados que iniciaram o país. Não satisfeitos, na constituição de 1891 mudaram o nome do nosso país para Estados Unidos do Brasil, como citado anteriormente.

Após 4 dias, contrariado com a cópia da bandeira, o Marechal Deodoro exigiu a troca, fato que ocorreu em 19 de novembro, ficando conhecido como o dia da bandeira.

Para o novo símbolo do nosso país foi usada como base a bandeira do Brasil Império, mudando o símbolo das armas por um globo, com as estrelas dispostas como no céu do Rio de Janeiro no dia 19 de novembro de 1889.

Bandeira do Brasil Império, a proposta por Lopes Trovão, com algumas modificações que foram feitas antes de ser anunciada e a atual.

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Muita gente repete que o verde representa as matas, o amarelo as riquezas (ouro), o azul os rios e o branco paz. Nada disso, o verde representa a casa de Bragança, da família de Dom Pedro I, e o amarelo a casa dos Habsburgo, da família da Imperatriz Leopoldina. Com o fim do império tentaram mudar esse significado, mas não existe nada oficial em relação a esse tema.

O navio que levou Dom Pedro II e sua família para a Europa chegou lá com a bandeira copiada dos EUA, já que na época não tiveram como comunicar a mudança durante a viagem. O Brasil republicano começou tropeçando.

Próximo Texto

Nosso próximo post aborda os dois primeiros presidentes do Brasil, período conhecido como a República da Espada.

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