256. Queda de Roma e Alta Idade Média

APOIO : Colégio Cotemig

A divisão clássica da história, vista pelo prisma ocidental, pode ser dividida em 4 fases: Antiguidade, Idade Média, Moderna e Contemporânea. A Era Medieval teve início com a queda do Império Romano. A partir daquele momento o mundo experimentou uma regressão urbana e o crescimento do poder da religião. Europa, Ásia e África eram o 3 continentes que se relacionavam naquele momento. As Américas e a Oceania sequer eram conhecidas pelo restante do planeta.

Clique para ampliar. Pequeno resumo das 4 fases da história. Fonte: Essas e outras.

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Por ser um período de invasões bárbaras, intensa violência religiosa, domínio dos feudos e criação de Estados frágeis, a Idade Média sempre é tida com um período obscuro de nossa história. Quando nos referimos a algo ultrapassado, velho, bárbaro, chamamos de medieval. Em dois textos vamos entender, superficialmente, um pouco mais sobre esses quase 1.000 anos.

Fim do Império Romano e as bases do Feudalismo

Já no século III o poderoso Império dava sinais de cansaço. Em apenas 50 anos Roma teve 16 imperadores, evidenciando tremenda instabilidade política. Ser imperador era muito perigoso e vários foram assassinados.

Outro problema era o tamanho. Como o império cresceu demais, estava mais preocupado em manter seu tamanho do que conquistar novas terras. Com isso, diminuiu drasticamente o comércio de escravos, a maioria prisioneiros de guerra. Sem novas conquistas, menos guerras e menos escravos, diminuição da produção agrícola. A fome era grande e várias revoltas eclodiram. O exército foi diretamente afetado pelas crises financeiras e já não tinha o poder de antes.

Maquete de Roma, cidade mais importante do mundo por séculos. Como tudo tem um fim, o Império acabou, dando origem a Idade Média. Imagem: Internet.

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Para tentar manter suas terras e produzir sem escravos, proprietários rurais passaram a aceitar moradores em suas propriedades, obviamente em troca de trabalho. Era o colonato romano. Nas fronteiras era muito comum aceitar bárbaros para esse sistema. A ruralização do continente veio como consequência, pessoas pobres fugindo das cidades e encontrando algum alento no campo, mesmo que em condições ruins. O fato de poder plantar já dava a eles mais que as cidades.

Paralelamente ao colonato, um sistema germânico era bastante interessante, o beneficium, onde chefes guerreiros doavam pedaços de suas terras aos seus melhores soldados, por grandes feitos em batalhas. Quem ganhava a terra tinha eterna obrigação frente ao doador, tendo que defender a região contra invasores.

Outra forma germânica de socialização também é importante ser citada, o comitatus. Líderes das tribos criavam uma relação de fidelidade total com seus comandados. As tribos germânicas eram assim, obedeciam a um líder e não a uma nação ou país, que nem sequer existiam da forma como conhecemos hoje.

Podemos dizer de forma superficial que ruralização, colonato, beneficium, comitatus, direito consuetudinário¹, entre outros fatores, moldaram o feudalismo que viria na sequência. Obviamente, nunca esquecendo da Igreja Católica, a amálgama que uniu tudo.

Voltando a Roma, em 395 d.C. o império foi dividido entre Ocidente e Oriente. Já em 410 d.C. a cidade foi invadida e saqueada pelos Visigodos, sob o comando do rei Alarico. Era a primeira vez em 800 anos que a capital romana ficava sob domínio de estrangeiros. Mais a frente, chegaram os temidos hunos, povo seminômade da Ásia central.

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Invadindo, pilhando e aniquilando povos, os hunos se mostraram imbatíveis,  forçando as tribos germânicas em direção a Roma. Pode parecer loucura, mas era melhor lutar contra os romanos do que esperar a chegada dos hunos. O maior líder foi Átila, morto em 453. Ele ficou conhecido como o Flagelo de Deus, pelo medo que provocava por onde passava. Os hunos eram treinados desde  crianças e montavam cavalos como ninguém. Lutavam com arcos compostos recurvados, muito melhores que os existentes no ocidente.

Detectando a fraqueza romana, outros povos germânicos invadiram o império, entre eles os suevos, alanos, vândalos, jutos, visigodos, anglos, saxões e francos. A cidade caiu por completo em 476 d.C., invadida pelos hérulos chefiados por Odoacro.

Pintura retratando destruição de Roma. Imagem: Internet.

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Alta Idade Média

A queda de Roma marcou o início da Idade Média. Na Europa, o feudalismo se consolidou como sistema político, econômico e social. Dessa forma, os senhores feudais eram os donos das terras, onde viviam camponeses em regime de servidão ou escravidão. Os vassalos (servos) estavam submetidos aos desejos de um suserano (senhor). Podiam plantar e viver na terra, mas pagavam impostos e tinham a obrigação de defender as posses dos senhores feudais em caso de guerra. Entre 3 a 4 dias por semana o servo tinha que trabalhar para o seu senhor.

Nem mesmo os reis tinham poderes sobre as terras dos nobres, criando um sistema bem interessante e descentralizado. Como os feudos eram em teoria autossuficientes, o comércio diminuiu drasticamente, assim como a circulação de moedas e mercadorias.

Exemplo de Feudo: As terras eram divididas em  manso senhorial, que correspondia à metade das terras  e tudo ali produzido ia para o senhor feudal. A produção do manso servil podia ser usada pelo servo para subsistência. O manso comunal era formado por bosques e pastos e podiam ser usados por todos para caça, extração de alimentos ou outras atividades. Imagem: Internet.

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Paralelamente aos monarcas e nobres tínhamos o poder da Igreja Católica, que expandiu o cristianismo por toda a Europa. Um acordo entre as partes era interessante a todos, reis e nobres doavam terras a Igreja, que se tornava cada vez mais poderosa. Por sua vez, o Clero ratificava o poder das classes mais altas como divino. Dessa forma, o rei se tornava divindade e a Igreja senhora feudal.

Assim como nas castas indianas, a ascensão social era praticamente impossível. A designação entre monarcas, nobre, clero e servos era algo religioso, como um carma que cada um carregava. “Deus quis assim”.

Neste período destacaram-se reinos derivados dos povos germânicos  que invadiram  Roma: francos, visigodos, ostrogodos, turíngios, bávaros, entre outros. Eram chamados de bárbaros pelos romanos, já suas línguas não derivavam do latim. O termo, portanto, carrega um peso de preconceito.

Pelo lado asiático tivemos a ascensão meteórica do islamismo, a partir da península arábica, assim com a manutenção do Império Romano do Oriente (Bizantino), com capital em Constantinopla, antiga Bizâncio.

Clique para ampliar. Reinos europeus e o Império Bizantino. Na África tínhamos o reino dos temidos Vândalos. No século seguinte surge o islamismo e cresce de forma substancial. Imagem: Internet.

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Por volta do ano 800 um destaque, surge o Sacro Império Romano-Germânico, com a coroação de Carlos Magno pelo Papa Leão III. Era uma monarquia de caráter feudal e o nome uma homenagem a Roma, mesmo que ela não fazendo parte do império na maior parte do tempo. O Império Carolíngio e a Europa e geral, enfrentaram inúmeros problemas, listados abaixo.

Na Alta Idade Média a Europa foi invadida por todos os lados. Imagem: Internet.

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A Alta Idade Média se estendeu até o século XI. Foi um período tenso, de inúmeras invasões, do norte vieram os vikings (793 até o fim do século XI). Pelo Sul chegaram os árabes muçulmanos (711 até 1492). Do Leste os húngaros ou magiares (séculos IX e X). Ao final, uma nova onda de mudanças assolou a Europa. Temos, então, o início da Baixa Idade Média, tema do nosso próximo texto.

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1- Direito consuetudinário: É o direito que surge dos costumes de uma certa sociedade, não passando por um processo formal de criação de leis ou de um poder legislativo. Vem das tradições passadas por gerações.

Publicado em 01.12.2019

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