68. Brasil, O nº 1 em Agrotóxicos

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Desde a década de 1950 a produção de alimentos no campo vem sofrendo uma drástica mudança. Com o avanço da tecnologia e o aumento da necessidade de alimentos uma série de fórmulas químicas foram inseridas nas plantações para maximizar a produtividade.

Entre os produtos que mais cresceram, sem dúvida, estão os agrotóxicos.

Agrotóxicos

São produtos e agentes de processos químicos ou biológicos, utilizados durante a  produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, pastagens ou na proteção de florestas plantadas.

A função primordial dos agrotóxicos é a proteção do que se está produzindo frente a ação danosa de seres vivos considerados nocivos. São herbicidas (contra plantas daninhas) , fungicidas (contra fungos) , inseticidas (contra insetos) , acaricidas (contra ácaros) , entre outros.

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Agricultor pulverizando agrotóxico. Observe pala roupa o quão perigoso é o produto. Imagem retirada da Internet.

Brasil

Primeiramente, é importante mencionar que o agrotóxico, usado em níveis reduzidos e cientificamente corretos, é muito importante para agricultura. A diminuição da fome mundial deriva de avanços também na área do combates a pragas. O problema é que estamos exagerando.

Desde 2008, o Brasil possui um triste título, é o país que mais utiliza agrotóxicos no mundo. Em dez anos, a venda de pesticidas no mercado agrícola brasileiro aumentou de R$ 6 bilhões para R$ 35 bilhões (2017). Enquanto, nos últimos 10 anos, o uso global deste incremento agrícola cresceu 93%, no Brasil, o aumento foi de 190%.

Em termos de uso por hectare o Brasil cai para a sétima posição, com o Japão na liderança.  A Globo fez uma importante reportagem sobre como os agrotóxicos influenciam a mesa dos brasileiros, em especial o glifosato. Confira no hiperlink. 

Somente neste ano, 2019, o governo já liberou mais de 290 novos pesticidas em nosso país, mesmo sabendo que algumas dessas fórmulas já eram usadas por aqui, mudando o fabricante. Segundo o  Greenpeace, 32% dos agrotóxicos liberados desde janeiro já foram vetados no bloco europeu. Do total liberado, 118 são considerados altamente tóxicos. Leia a matéria completa no site UOL.

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Avião pulverizando agrotóxico. Leia mais em uma reportagem do site Cidade Sustentável. 

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Congresso Nacional

No Brasil, estão liberados o uso de 450 fórmulas de agrotóxicos para uso em plantações. Simplesmente 22 dos 50 princípios ativos mais empregados em agrotóxicos no Brasil estão banidos em outros países.

O problema é que a bancada ruralista no Congresso é tremendamente poderosa e a tendência é que mais fórmulas e produtos sejam liberados. É de total interesse, principalmente dos grandes produtores, o uso de agrotóxicos que, sem dúvidas, aumentam a produtividade.

Inclusive os agrotóxicos são isentos de impostos como  ICMS, PIS/PASEP, COFINS e IPI. Tudo isso pelo fato de ser um ramo econômico que trás muitas divisas para o Brasil, além de produzir alimentos.

Sera que o brasileiro é mais forte que o europeu para suportar tamanho uso de pesticidas?

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Charge de Latuff criticando a bancada ruralista. Imagem: Latuff Cartoons

Testes

Em 2016 a Anvisa¹ analisou amostras de 18 alimentos coletados em todos o Brasil. Simplesmente 17 deles possuíam níveis de toxidade acima do permitido.

O número mais estarrecedor é que, se dividirmos a quantidade de agrotóxicos usados no Brasil para cada habitante, chega-se ao número de 5,2 Kg per capta. Óbvio que não ingerimos tudo isso, mas esse número é pulverizado sobre os alimentos.

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Alimentos com maiores níveis de agrotóxicos. Veja a reportagem completa no site Hypeness. 

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A Anvisa alerta que mesmo lavando bem os alimentos e retirando suas cascas o consumidor não está livre dos resíduos de agrotóxicos já que alguns deles tem capacidade de penetrar em folhas e polpas.

Outro problema grave é o fato do veneno se infiltrar nos solos das plantações e ir parar em lençóis freáticos. Neste caso, pessoas que entrarem em contato com esta água podem ser contaminadas.

Saúde

Os agrotóxicos comprovadamente podem causar, a médio e longo prazo uma variedade imensa de doenças: Má formação fetal, dor de cabeça, diarreia, vômitos, desmaios, náuseas, problemas nos rins, doenças de pele, irritação ocular e auditiva, depressão, lesão neurológica, problemas hormonais e reprodutivos.

O uso de agrotóxico está fora de controle, em especial no Brasil. Imagem: Internet.

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Já existem casos de grávidas com agrotóxico no leite e a pior das notícias, câncer.

Agricultura Orgânica

A solução passa pela proibição, aqui no Brasil,  de venenos já proibidos em países desenvolvidos, com maior capacidade de análise. Uma fiscalização maior, colhendo amostras, examinando e se for o caso multando.

Outra possibilidade é procurar e perguntar por alimentos orgânicos nas redes de supermercado. Eles fazem parte de um ramo da agricultura onde  não é permitido o uso de substâncias que coloquem em risco a saúde humana e o meio ambiente. Não são utilizados fertilizantes sintéticos solúveis, agrotóxicos e transgênicos.

O produto final custa mais caro, pelo fato da produtividade ser menor, pois não tem o auxílio dos venenos e da tecnologia empregada no campo. Entretanto, se o consumo orgânico aumentar, mais produtores, em especial os de médio e pequeno porte, irão investir neste ramo, diminuindo os preços.

Os orgânicos são vendidos embalados, para evitar a mistura com produtos ditos “normais”. Imagem: Internet.

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O caminho é longo e não será resolvido em curto prazo. O agronegócio é poderoso, gera renda, empregos, alimenta o país em tem costas largas no Congresso. Não estou aqui defendendo o fim do uso de agrotóxicos, mas um uso mais racional. De nada adianta gerarmos tanto alimento se ele irá nos fazer mal.

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1 – Anvisa –  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) é uma agência reguladora vinculada ao Ministério da Saúde do Brasil. Essa agência exerce o controle sanitário de todos os produtos e serviços (nacionais ou importados) submetidos à vigilância sanitária, tais como medicamentos, alimentos, cosméticos, derivados do tabaco, produtos médicos, sangue, hemoderivados e serviços de saúde.

Publicado em 13.09.2015

Revisado em 31.07.2019

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