72. Conflito Árabe-Israelense: Davi x Golias

Em nossos últimos textos observamos como foi a complexa criação do Estado de Israel. Abordamos também a animosidade gerada pelas 4 guerras entre os árabes e os judeus.

Hoje, veremos uma tentativa de paz e, infelizmente, mais conflitos:

A Paz de Camp David 1978-1979

Em 1978, patrocinados pelo presidente norte-americano Jimmy Carter, o primeiro-ministro israelense Menahem Begin e o presidente egípcio Anwar Sadat se fecharam durante 12 dias em Camp David, retiro presidencial norte-americano no estado de Maryland, EUA.

Após dias de reuniões, os 3 líderes fecharam acordos. O Egito reconheceria Israel como país, que por sua vez, devolveria a Península do Sinal, invadida em 1967. A famosa troca terra por paz.

Em 1979, os acordos foram ratificados em Washington e entraram em vigor.

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Anwar Sadat (Egito), Jimmy Carter (EUA) e o primeiro-ministro israelense Menahem Begin.

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Foi a primeira vez que um país árabe reconheceu a existência de Israel como um país.

A questão palestina ficou para ser discutida no futuro. A ideia era dar autonomia aos palestinos, porém, a própria OLP não reconheceu o acordo. A organização não queria autonomia, queria a criação de um novo país.

Os Acordos de Camp David, como passaram a ser chamados, foram um sucesso, nunca mais os dois países entraram em guerra. Trouxeram prestígio para Sadat e Begin, que dividiram o prêmio Nobel da Paz de 1978 e o Egito foi recompensado, recebendo maciços investimentos do Ocidente.

Porém, nem tudo foram flores, o país dos Faraós foi expulso da Liga Árabe e Sadat assassinado por radicais do seu próprio país, contrários aos acordos com Israel.

Invasão do Líbano 1982

Após a criação de Israel, um número gigantesco de palestinos se refugiaram no Líbano, país vizinho. Com essa entrada maciça muçulmanos, o frágil equilíbrio entre cristãos e islâmicos se rompeu, fazendo o país entrar em guerra civil no ano de 1975.

O vizinho em guerra se desintegrou e  vários incidentes envolvendo judeus e a OLP, sitiada no Sul do Líbano, começaram a acontecer.

Israel resolveu agir, invadindo o país árabe para perseguir os militantes da OLP. O General israelense Ariel Sharon tinha ordens para entrar somente alguns quilômetros dentro do território libanês, mas não foi isso que aconteceu.

O “Napoleão do Médio Oriente” entrou no Líbano com 80 mil soldados em 1.240 carros de combate e mais de 1.500 outros veículos blindados. Simplesmente avançou até a capital Beirute, cercando Arafat e a OLP.

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General Ariel Sharon invadindo o Líbano. Imagem Retirada da Internet.

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Esta invasão, chamada de “Paz na Galileia”, gerou quase 20 mil mortes, a maioria de civis. Entre todos os conflitos, esse foi o que mais manchou a reputação de Israel, pela disparidade de forças e bombardeios indiscriminados aos bairros de Beirute.

O fato mais terrível foi o massacre perpetrado pelos cristãos falangistas (facção libanesa) contra os assentamentos palestinos de Sabra e Chatilla. Mais de 2.000 pessoas foram mortas. Segundo consta, o exército de Israel, aliado dos cristãos, nada fez para impedir.

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Como ficou uma parte de Beirute após a invasão israelense. Imagem retirada da internet.

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Por pressão internacional, Israel abandonou Beirute, que ficou sob o domínio de 35 mil soldados sírios. Mas a saída dos judeus não foi completa, ocuparam permanentemente o Sul do Líbano, na divisa com Israel, criando uma zona de segurança.

Arafat conseguiu fugir e se refugiou na Tunísia, onde criou uma nova base para a OLP. O saldo foi 13.500 casas destruídas pelo cerco promovido por Sharon.

Essa ocupação fez surgir, no sul do Líbano,  um grupo terrorista, o Hezbollah (“Partido de Deus”), organização xiita apoiada pelo governo islâmico fundamentalista do Irã.

Saiba mais sobre o Hezbollah no site Ultimo Segundo do IG.

Intifadas – 1987 e 2000

A palavra, em árabe, significa sobressalto, despertar repentino, abrupto. Politicamente foi o nome dado as revoltas palestinas contra os abusos dos soldados israelenses, principalmente na Faixa de Gaza.

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Primeira Intifada, 1987. Imagem retirada da internet.

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O inicio do problema se deu em 1987, no campo de refugiados de Jabaliyah, localizado no extremo norte da Faixa de Gaza. Sem um motivo aparente, sufocados pela opressão israelense, manifestantes revoltados, partiram para cima dos militares israelenses munidos apenas de paus e pedras.

Reviveram o confronto entre Davi x Golias. O detalhe é que Davi, o pequenino Hebreu (judeu) na história bíblica, hoje, se parece mais com Golias.

No ano 2.000, o então candidato a 1° Ministro de Israel, Ariel Sharon, responsável pela invasão do Líbano, fez uma visita de “cortesia” a esplanada das Mesquitas em Jerusalém. O local é considerado sagrado pelos muçulmanos que interpretaram a visita com um insulto. Uma nova intifada teve inicio e durou até meados de 2005.

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Jovem palestino jogando pedra em um tanque israelense. Davi x Golias ao contrário. Imagem retirada da internet.

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Veja abaixo como, ao longo dos anos, os Palestinos (verde) foram perdendo espaço para os judeus. Parte culpa dos próprios árabes, parte ambição dos judeus em aumentarem seu território.

Avanço judeu sobre as terras palestinas ao logo das décadas. Sobrou para os muçulmanos a Faixa de Gaza (esquerda) e a Cisjordânia (direita). Imagem retirada da internet.

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Assentamentos Judaicos

Nos últimos anos, a solução para o problema teve idas e vindas. Desde os Tratados de Oslo em 1993, Israel se retirou de uma parte da Cisjordânia e de Gaza, permitindo a formação de uma Autoridade Palestina, com autonomia em algumas cidades.

O problema é que o território de atuação da Autoridade Palestina é totalmente fragmentado, já que Israel não abandonou as áreas da Cisjordânia onde existiam assentamentos judaicos.

Desde 1967, os judeus constroem vilas e cidades, chamadas de assentamentos, em pleno solo palestino. Hoje, esse é um dos maiores entraves para a criação de um Estado muçulmano. São cerca de 400 mil judeus vivendo nesses locais e Israel nunca parou de construí-los.

Veja no mapa abaixo, a complicada situação da Cisjordânia, onde os palestinos pretendem construir seu país. De bege, regiões controladas pela Autoridade Palestina, de azul, assentamentos judaicos e de vermelho áreas de possíveis expansões das vilas israelenses. Como dividir esta região agora? É a pergunta que fica.

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Imagem retirada do site Amigos Brasileiros do Paz Agora. 

Muro

A situação está tão longe de uma solução que Israel construiu muros, de até 8 metros de altura, separando algumas áreas palestinas das áreas judaicas. Segundo os israelenses é para impedir que atiradores acertem os assentamentos.

Saiba mais sobre este muro no site Wikipédia.

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Muro na Palestina. Imagem retirada da Internet.

Jerusalém

Outro ponto sem solução é a questão de Jerusalém. Os dois povos, judeus e palestinos, afirmam que a cidade é sagrada e pretendem tê-la como capital de seus respectivos países. Na cidade habitam cidadãos das duas religiões. Como dividir Jerusalém para os dois povos se o local mais sagrado para os judeus, o Muro das Lamentações, está praticamente na mesma construção da Mesquita Domo da Rocha, 3º mais sagrada para os muçulmanos? Complicado.

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Muro das Lamentações e atrás, com a cúpula dourada, a Mesquita Domo da Rocha. Imagem retirada da Internet.

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Além de tudo isso, existe a questão dos milhares de Palestinos que migraram para os países vizinhos. Israel veta o retorno deles.

Para finalizar, existe a  Faixa de Gaza, pequenina extensão de terras, separada da Cisjordânia, miserável e controlada pelo radical grupo Hamas.

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Pesados bombardeios judeus na Faixa de Gaza em 2014. Imagem retirada da Internet.

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O site G1 explica o que é a Faixa de Gaza.

Há 6 dias atrás, mais uma vez, Israel bombardeou Gaza, após militantes lançarem foguetes contra os judeus. Confiram mais no site G1.

Infelizmente, desde que eu estou na Universidade este conflito me chama a atenção. Meu trabalho de conclusão de curso teve como tema a influência da religião no Conflito árabe-israelense.  Isso foi no ano de 2002. Naquela época, pouco esperança eu tinha em uma solução definitiva para esta contenda. De lá para cá, se passaram 13 anos, e minha expectativa diminuiu ainda mais.

Espero ter aumentado seu conhecimento.  Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 27.09.2015

 

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