79. A Amazônia e os Rios Voadores

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo. Cobre boa parte da Bacia Amazônica, área de captação de águas para o rio Amazonas. Sua área colossal abrange terras de 9 países. O Brasil possui cerca de 60% do total da floresta, que se estende por Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e França (Guiana Francesa).

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Amazônia. Imagem: Internet.

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Nosso gigante representa metade de todas as florestas tropicais da Terra, sendo o bioma com a maior biodiversidade do mundo. Enquanto na América do Norte existem cerca de 650 espécies de plantas, na Amazônia este número é de 30 mil, 10% do total mundial. Estima-se que nem metade dos seres vivos da Amazônia são conhecidos e catalogados pelos humanos.

Etimologia

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Francisco Orellana, primeiro desbravador da Amazônia. Imagem: Biografias y vidas

O nome surgiu após um encontro não muito amistoso entre o explorador espanhol Francisco de Orellana e algumas índias, no ano de 1541.  O europeu foi o primeiro homem a percorrer toda a extensão do Rio Amazonas desde os Andes até o Oceano.  Ao ficar sabendo do ocorrido, o rei  Carlos V de Habsburg batizou o rio de “Amazonas”, nome das mulheres guerreiras da Mitologia grega. Amazônia é uma derivação do nome do rio.

Clima

Segundo estudos, a Amazônia é responsável por grande parte das chuvas  do território brasileiro. Isso ocorre porque cada árvore amazônica de grande porte, com uma copa de 20 metros, pode evaporar mais de mil litros de água por dia. Segundo estimativas, ainda existem cerca de 6 bilhões de árvores na Amazônia, imaginem quanta água este conjunto de vegetais lança na atmosfera a cada hora. O nome deste processo é evapotranspiração.

Cientistas acreditam que a floresta pode transpirar até 20 trilhões de litros de água por dia.

Todo esse fluxo de vapor d’água é empurrado na direção leste, para o Oceano Pacífico. O detalhe é que antes de alcançar o mar, este “rio voador” se choca com a enorme Cordilheira dos Andes, sendo desviado para o sul, em direção as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. O nome “rios voadores” está se tornando comum para designar essas massas de ar úmidas que se deslocam pelo planeta.

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Imagem representando o caminho das chuvas, sendo barradas pelos Andes e descendo em direção Sudeste. Imagem: Internet.

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Como a umidade do ar é invisível, passa por cima de nossas cabeças sem que possa ser observada. Quando o ponto de saturação da atmosfera é atingido, ou seja, ela não consegue mais comportar vapor, surgem as nuvens e chove.

Outro importante fator é a floresta sugar uma parte do vapor d’água que evapora do oceano para o interior do continente, aumentando a quantidade de água dentro da América do Sul . Este processo se chama Bomba Biótica e pode ser observado através de uma fantástica aula do professor Antonio Donato Nobre no site Youtube.

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Visão aérea da densa floresta amazônica. Imagem: Internet

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Resumindo, boa parte das chuvas que ocorrem no Centro-Oeste, Sudeste e Sul, ocorrem graças a umidade emanada pela Floresta Amazônica. No estado de São Paulo, estima-se que metade da pluviosidade venha do Norte do Brasil.

Desmatamento

Até a década de 1960 a floresta permaneceu praticamente intacta, quando então se iniciou o processo de desmatamento. O principal método de limpeza do terreno são as queimadas, que muitas vezes saem do controle e atingem áreas imensas. Como o solo amazônico só é fértil por um curto período de tempo, logo os agricultores trocam de lugar para iniciar um novo ciclo de devastação.

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Desmatamento na Amazônia: Imagem: O Globo.

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Outra forte presença econômica na Amazônia é da pecuária bovina. Abrem-se enormes buracos na floresta para servirem de pasto para os bois. Também existe a fortíssima indústria madeireira, que atua na região de forma indiscriminada, cortando um patrimônio brasileiro para o enriquecimento de poucos. Esses poderosos grupos constantemente assassinam pessoas que tentam proteger a floresta, como foi o caso do seringueiro Chico Mendes, em Xapuri, no dia 22 de dezembro de 1988.

Dos 6,9 milhões de Km² originais de floresta, 5,5 milhões ainda estão de pé. Cerca de 20% da vegetação já foi pro chão e segundo os especialistas, se esse número atingir 40%, os climas de várias regiões do Brasil serão duramente afetados. O programa Fantástico, da Rede Globo, fez uma reportagem em relação a este tema, confiram.

O instituto de pesquisa Imazon, em Belém, monitora o desmatamento na Amazônia há mais de 20 anos. Entre agosto de 2014 e fevereiro deste ano foram derrubados 1.700 quilômetros quadrados de floresta, uma área maior que a cidade de São Paulo. Um aumento de 215% em relação ao mesmo período do ano passado.

De rosa a área já desmatada da Amazônia até 2009. Imagem: Imazon

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Os estados que mais desmataram foram Mato Grosso (35%), Pará (25%) e Rondônia (20%).

Seca

A cada árvore que se derruba na Amazônia, menos água é evaporada, diminuindo esta grande bomba d’água.  Cientistas afirmam que a seca vivida pelos estados do Sudeste do Brasil nos últimos anos provavelmente tem relação com o desmatamento.

Soluções

A principal medida será nosso país alcançar o desmatamento zero até 2020. Existe um projeto de Lei de iniciativa popular para que o Brasil tenha a obrigação de  zerar a devastação. Mais de 1,4 milhão de brasileiros já assinaram, participe.

Uma maneira efetiva de se manter a floresta em pé é criar alternativas econômicas aos moradores locais, como o ecoturismo controlado, extração de látex, castanhas e açaí, mantendo a planta viva. A própria Zona Franca de Manaus é uma alternativa a derrubada da mata, gerando 120 mil empregos diretos e 600 mil indiretos. Confira mais no site do Governo Brasileiro.

Ecoturismo integrado a natureza na Amazônia. Imagem: Espaço Turismo.

Ecoturismo integrado a natureza na Amazônia. Imagem: Espaço Turismo.

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Não adianta falar em preservação se as pessoas pobres próximas a floresta não possuem emprego e uma vida digna. Com certeza, sem outras opções, vão derrubar árvores. Quanto aos grandes grupos mafiosos, aí é com a polícia e justiça.

Outra forma de proteger a Amazônia é criar áreas de conservação e proteção ambiental. Mas para que isso aconteça, o Estado precisa estar na região, com recursos e infraestrutura para fazer valer as leis de preservação.

O planeta Terra sempre cobra um preço pela agressão sofrida, nunca podemos nos esquecer disso.

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Publicado em 21.10.2015

 

 

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