87. Chê – A Revolução Cubana

Em nosso último texto, trouxemos os principais acontecimentos que marcaram a formação de Chê como homem e revolucionário. No texto de hoje veremos como um grupo pequeno de guerrilheiros conseguiu chegar ao poder em um país, derrubando um ditador apoiado pelos EUA.

Em 1956, treinados no México,  um grupo de 81 homens embarcou em um pequeno iate, superlotado, para “invadir” Cuba. A ideia era iniciar um guerrilha, angariar apoio junto aos camponeses e fazer o movimento se tornar popular.

Granma, iate que fez a travessia do México para Cuba. imagem: Internet.

Granma, iate que fez a travessia do México para Cuba. imagem: Internet.

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Concomitante a guerrilha, uma grande manifestação estudantil, conectada a Fidel,  iria tumultuar a cidade de Santiago de Cuba. A expectativa era que a união dos dois movimentos geraria uma impossibilidade de continuação do governo de Fulgêncio Batista.

Ditador Fulgêncio Batista. Imagem: Internet.

Ditador Fulgêncio Batista. Imagem: Internet.

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Conforme combinado, no dia 30 de Novembro começou o levante popular, dirigido por Frank País, em Santiago de Cuba. Alguns membros da guerrilha de Fidel deram suporte ao confronto urbano contra a polícia. Faltava agora a ação da guerrilha.

Desembarque atrapalhado

Tudo que podia dar errado aconteceu.

No barco, chamado de Granma, projetado para 12 pessoas, cerca de 80 homens se espremiam. Para piorar, o mau tempo e erros de cálculos fizeram a travessia durar 4 dias a mais que o previsto. Enquanto isso os estudantes e manifestantes estavam sendo massacrados em Santiago de Cuba pelas tropas de Batista.

O erro de rota foi tão grosseiro, que o desembarque, que seria em uma praia, ocorreu a 16 Km de distância em um mangue, onde o barco encalhou.

Em vermelho o local de desembarque dos rebeldes. A ideia inicial era desembarcar na Sierra Maestra, próximo a Santiago. Imagem: Internet.

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A viagem durou 7 dias. Sofrendo com enjoo, fome, sede e frio, os combalidos combatentes ainda tiveram que atravessar um terrível lamaçal, que lhes custou boa parte dos parcos suprimentos.

O grupo se dividiu em dois e, perdidos, tentaram achar terra firme, sair do mangue. Dois dias depois, se reencontraram em um vilarejo chamado Alegría del Pío, onde fizeram uma pausa para descansar em meio a um canavial.

Contra golpe de Batista

Toda essa trapalhada chegou ao conhecimento de Batista, que foi implacável. O ataque surpresa aos guerrilheiros veio a tarde e praticamente aniquilou a rebelião. Quem não foi executado, foi preso. Dos cerca de 80 homens desembarcados, somente 15 sobreviveram, entre eles Raul e Fidel Castro, Camilo Cienfuegos  e Chê.

Se reencontraram somente em 21 de dezembro, quase doze dias depois,  após vagarem dispersos pela Sierra Maestra e ajudados pela rede de camponeses do 26 de Julho, organizada pela dirigente do movimento na região, Célia Sanchez.

Fidel e Chê em Sierra Maestra. Imagem: Internet.

Fidel e Chê em Sierra Maestra. Imagem: Internet.

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Resistência em Sierra Maestra

Por meses, a guerrilha perambulou pelos 160 Km da Sierra Maestra, escondidos e vivendo na mata. Nas cidades, a agitação era grande com manifestações e atentados contra interesses do governo.

A cada novo dia, mais notícias se espalhavam sobre o grupo de guerrilheiros entrincheirados na floresta. Suprimentos, dinheiro, medicamentos, armas e voluntários chegavam para lutar com Chê e Fidel. Um sonho praticamente impossível estava criando corpo.

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Fidel e Chê conversando em meio a densa floresta. Imagem: Internet.

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O governo de Batista tentava encobrir os fatos, afirmando que o grupo rebelde já não existia mais. Segundo o ditador, Fidel e sua trupe haviam sido riscado do mapa pelo exército. Mas a presença dos guerrilheiros foi confirmada por um  jornalista do The New York Times, Herbert Matthews, que em um sensacional furo de reportagem, foi até a selva entrevistar Fidel.

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Herbert Matthews com Fidel Castro em Sierra Maestra. Imagem: Internet.

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Em sua reportagem, Fidel foi retratado como um grande homem, letrado, firme em seu ideal, vivo e lutando com toda força contra as tropas de Batista. O ministro da defesa de Cuba desafiou o jornalista a postar uma foto de Castro. Alguns dias depois, ela foi publicada pelo jornal. Foi a desmoralização total do regime.

Após várias vitórias dos rebeldes, e uma enorme greve geral em Cuba, o governo de Batista se deteriorava. Em meados de 1957, Fidel promoveu Chê a comandante, cargo antes só ocupado pelo próprio líder.

Raul Castro, left, younger brother of Cuban rebel leader Fidel, has his arm around second-in-command, Ernesto "Che" Guevara, Argentine national, in their Sierra de Cristal Mountain stronghold south of Havana, Cuba, during the Cuban revolution in this June 1958 file photo. (AP Photo/Andrew St. George)

Raul Castro, Irmão mais novo de Fidel e atual presidente de Cuba, ao lado de Chê. Imagem:AP Photo/Andrew St. George

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Chê se mostrava tremendamente rigoroso, mais até que o próprio Fidel. Vários voluntários se apresentavam para lutar, mais pela pobreza que passavam do que por ideais revolucionários. Cabia então a Chê, incutir na mente desses humildes homens o aspecto ideológico. Traições e deserções também eram comuns na guerrilha, sendo punidas com execuções.

Rádio e Jornal

O governo impôs uma dura censura a jornais e rádios, impedindo que qualquer notícia sobre a milícia fosse veiculada. Sabiamente, Chê criou uma rádio amadora em meio a selva, conhecida como Rádio Rebelde, onde tinha “programas” diários.  Guevara também criou um jornal, “El Cubano Livre”, como forma de divulgar as ideias e objetivos da guerrilha.

Chê falando em sua amadora rádio rebelde. Imagem: Internet.

Chê falando em sua amadora rádio rebelde. Imagem: Internet.

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Desesperado, Batista tenta um contra-ataque maciço. Com 10 mil homens, tanques e blindados, invade Sierra Maestra. Os rebeldes, conhecedores do terreno, usavam táticas de guerrilha que, somada a um apoio popular e as propagandas de Chê, levou centenas de soldados a abandonarem seus postos e se  juntarem aos guerrilheiros.

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Chê e Camilo Cienfuegos. Imagem: Internet.

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Em agosto de 1958, as colunas de Chê e Fidel avançaram e tomaram importantes cidades. No dia 1° de janeiro de 1959, percebendo a irreversibilidade de sua derrota, Batista embarca com alguns colaboradores íntimos para a República Dominicana. Nunca mais colocariam os pés em Cuba.

Enquanto Chê conquistava Havana, Fidel entrava triunfante em Santiago de Cuba. Castro demorou 9 dias para chegar na capital, pois veio parando de cidade em cidade, fazendo seus intermináveis discursos inflamados.

Fidel e Chê se reencontram vitoriosos em Havana. Imagem: Internet.

1959, Fidel e Chê se reencontram vitoriosos em Havana. Imagem: Internet.

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O mundo se assombrou. Impressionante como 15 sobreviventes de um quase naufrágio conseguiram tomar o poder em um país, lutando contra um exército regular, apoiado pelo vizinho EUA.

Isso sim se chama revolução.

Próximo texto

Em nosso próximo post, veremos a instauração do socialismo em Cuba e a saída de Chê do país.

Espero ter aumentado seu conhecimento.  Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 18.11.2015

 

 

 

 

3 comments to “87. Chê – A Revolução Cubana”
  1. Tem uma parte que não concordo: O Brasil é capitalista e não resolve seus problemas NÃO POR CULPA DO CAPITALISMO, mas pelos seus políticos que “somem” com toda a riqueza produzida pelo povo. A Petrobras é um exemplo disso. O fidel castro queria fazer de cuba uma sucursal soviética aqui nas americas e a única coisa politicamente certa a fazer era colocar o pé no pescoço dele. Comuna não pode se criar senão faz o que fez com o Camboja, com a URSS, com a coreia do norte, com a própria cuba etc.

    • Em minha opinião, o socialismo/comunismo é algo que não se encaixa a realidade humana. Por outro lado, o capitalismo, sem qualquer controle, liberal, já se mostrou totalmente excludente. Temos que encontrar um meio termo. O país deve sim ser capitalista, porém cabe ao Estado, através dos impostos, promover uma igualdade maior. A Cuba de Fidel não é muito melhor ou pior que a Cuba anterior, capitalista, dominada pelos interesses dos EUA. Essa é minha visão.

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