91. Demografia: Taxa de fecundidade e o IDH

Em nosso último texto abordamos 5 importantes taxas demográficas, seus conceitos e números atualizados. Neste post, iremos conhecer mais 3  relevantes indicadores populacionais:

6. Taxa de Fecundidade: É o número médio de filhos por mulher, em idade fértil. A idade reprodutiva adotada foi dos 15 aos 49 anos.

Existe uma relação quase matemática entre o desenvolvimento social de um local e o número médio de filhos. Em locais de baixa renda, mulheres com escolaridade menor e menos informação, tendem a ter o 1º filho mais cedo, impulsionando o número médio de filhos para cima. Uma análise pública nos mostra isso, veja o texto completo no site do Governo Federal, Portal Brasil.

O mapa abaixo é um reflexo deste fenômeno, países mais pobres ou conflituosos, como os africanos ou os famosos Iraque e Afeganistão, possuem médias mais altas de filhos.

Número médio de filhos por mulher. Imagem: Internet

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Outro importante fator que influencia a taxa de fecundidade é a urbanização. Regiões menos urbanizadas, ou seja, rurais, tendem  a ter um número mais elevado de filhos. Este fator  também está conectado a escolaridade e a classe social, já que, em geral, a média de anos de estudo das populações agrárias é menor.

Mas o agente preponderante para a queda da fecundidade é a entrada da mulher no mercado de trabalho. Por vários motivos que vão desde a realização pessoal, a independência financeira e até a necessidade de se aumentar a renda familiar, a mulher se lançou no mercado de trabalho.

Este fenômeno teve início na década de 1960 e veio em conjunto com a pílula anticoncepcional, que deu a mulher a opção de engravidar ou não. Para se ter ideia da revolução causada por esse contraceptivo, em 1962, 50 mil mulheres utilizavam o método, apenas 7 anos depois o número chegava a 1 milhão.

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Queda na taxa de fecundidade no Brasil. Imagem: Internet

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Uma mulher que trabalha, e no Brasil 38% dos lares são economicamente chefiados por elas, em geral, não possui a condição de tirar  5 ou 6 licenças maternidade ao longo de sua vida fértil. Não sendo mais dona de casa, ficou mais difícil criar os descendentes. O portal G1 fez uma reportagem sobre este assunto, confiram.

A somatória de todos esses fatores mudou drasticamente os números da fecundidade no mundo, em especial no Brasil. Em nosso país, as mulheres tinham mais de 6 filhos, em média,  e este número caiu para algo em torno de 1,77 em 2013. Outro fenômeno detectado foi o aumento da idade média da mulher no nascimento de seu 1º filho, que hoje está em quase 26,9 anos.

Para um futuro próximo, as projeções indicam uma taxa de fecundidade de 1,61 filho em 2020 e 1,50 filho em 2030. A idade média no nascimento do 1º filho deve subir para 28 anos em 2020 e 29,3 anos em 2030.

Todos esses fenômenos já estão gerando graves problemas para o Brasil, como o envelhecimento da população. A cada década, temos, percentualmente, menos jovens e mais idosos. Isso pressiona as áreas da saúde e principalmente a previdência social, dependente da contribuição de quem trabalha para se pagar as aposentadorias.

O jornal Gazeta do Povo fez uma reportagem completa, mostrando que em menos de 40 anos, 30 % da população brasileira será composta por idosos, confiram.

7. PIB per capita: também chamada de Renda per “capita”, que é a forma latina para cabeça, ou seja, individualmente.  É obtida através da divisão do PIB¹ de um país pela sua população. Essa taxa simula toda riqueza produzida no país em um ano, dividida por todos os habitantes.

Esta taxa existe como forma de comprara duas grandezas, população e geração de riquezas. Nesse sentido se torna útil para alguns tipos de análises. Independente da desigualdade, quanto maior for a renda de um país, em relação a sua população, melhor.

O PIB per capita é divulgado em dólar. Como a cotação das moedas estão sempre se modificando, existem vários rankings. Nosso PIB per capita já chegou a US$ 11.000 por habitante, por ano. Com a crise atual, caímos para US$ 8.649,95. Nossa posição orbita a posição 7oº, dependendo do organismo divulgador. Veja as lista completa no site Wikipédia.

Com a terrível crise pela qual passamos, e uma provável retração de nosso PIB, teremos uma diminuição da renda per capita brasileira.

PIB per Capita por estado. Observem como o Brasil é um país desigual. Imagem: Internet.

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A renda de um país nunca é distribuída de forma homogênea. Por esse motivo, o PIB per capita é um índice que recebe várias críticas, entre elas:

  • Podem ocorrer distorções – Países com pouca população, mas com alguns bilionários, pode ter um desvio padrão anormal de sua taxa. A Arábia Saudita, por exemplo, é muito rica em petróleo, mas todo ele é controlado pela família real, tornando seu alto PIB per capita irreal.
  • O PIB não aborda transações clandestinas como o contrabando, ambulantes, entre outros.
  • O PIB é um dado unicamente econômico, não se levando em conta, por exemplo, a devastação ambiental causada por um suposto crescimento econômico.

8. IDH: A sigla significa Índice de Desenvolvimento Humano. Foi criada na década de 1990 pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq, para se comparar e analisar a qualidade de vida entre os países e regiões do mundo. Desde 1993 é usado pelo  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no seu relatório anual.

Para se obter o IDH de um local são analisados 4 índices:

  • Da área da saúde se analisa a Expectativa de vida (item tema de nosso último texto)
  • Da área econômica se analisa o PIB per capta.
  • Da área da educação são analisados 2 itens: Escolaridade da população e taxa de analfabetismo (Item que também foi tema de nosso último texto.

Escala com 4 níveis de IDH. Imagem: Internet.

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Os 4 índices entram em uma fórmula e geram um número que vai de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1 melhor é o IDH. Em 2016, mais uma vez a Noruega (IDH 0,949) liderou o ranking mundial.

O Brasil, 9º economia do mundo, aparece na posição 79º com IDH 0,754 (dados de 2015, divulgados em dezembro de 2016), bem abaixo do nosso potencial. Veja o reportagem no site da Folha de SP.

O IDH muda anualmente, mas nosso país sempre orbitou colocações entre 70º e 85º. Apesar da melhora ano a ano, nosso posicionamento pouco mudou ao longo das últimas décadas. Não adianta ter uma economia poderosa, se ela está concentrada nas mãos de uma pequena parcela da população.

Abaixo podemos perceber a melhora do IDH dos Municípios do Brasil entre 1991 (majoritariamente muito baixo) para 2010.

O site UOL fez uma reportagem bem completa  sobre o IDH do Brasil,  confiram. 

Também o site Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil nos mostra o ranking de IDH do Brasil por Municípios, Regiões Metropolitanas, Estados e Unidades de Desenvolvimento. Os números são de 2010, confiram.

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Encerrando o assunto demografia, traremos as pirâmides etárias, mortalidade infantil entre outras curiosidades. Acessem!

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Publicado em 02.12.2015

Revisado em 27.10.2017

1- PIB: O Produto Interno Bruto, representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos numa determinada região (país, estado, município), durante um período de tempo determinado (mês, trimestre, ano, etc).

 

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