106. 1º Guerra – A Europa Armada

Sempre foi interesse deste blog  produzir textos sobre os dois maiores conflitos já ocorridos na humanidade, as duas Grandes Guerras Mundiais.

Para mergulharmos profundamente neste assunto, precisaríamos de inúmeros textos, o que desviaria o blog de sua intenção original, abordar variados temas.

Reservamos então, 8 textos para os dois eventos, tentando ao máximo abordar todo o tema e, ao mesmo tempo, ser sucinto, para não alongar demais.

Oportunamente, em um futuro próximo, faremos textos que, paralelamente aos desta sequência, acomodarão de forma mais específica e profunda alguns capítulos desses megaeventos.

Causas da 1º Guerra Mundial

Não podemos definir uma causa específica para algo tão titânico como uma guerra mundial. Inúmeros problemas e desavenças foram se acumulando ao longo do Século XIX e ampliando a rivalidade entre as potências europeias. Entre as principais motivações da 1º Guerra Mundial podemos destacar:

1 – A partilha da África

Após a descolonização das Américas, os europeus partiram para a colonização do continente africano, fato que ficou conhecido como neo (novo) colonialismo.

O processo se desenrolou durante o século XIX, chegando ao seu auge nos anos de 1884 e 1885, quando, em uma conferência em Berlim, foram estipuladas as fronteiras e posses do continente.

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Charge representando os líderes europeus fatiando a África como querem. Imagem: Internet

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Para que o país  pleiteasse a posse de uma região ele deveria ocupá-la fisicamente. Esta condição gerou uma enorme corrida para se fazer presente no máximo de locais possíveis.

Como lobos atrás de uma presa, foi impossível conciliar tantos interesses. Obviamente, países saíram favorecidos em relação a outros.

A dupla Inglaterra e França, foi amplamente favorecida em relação a outras duas potências, Alemanha e Itália, países recém-criados, portanto, atrasado em relação a corrida colonial.

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Observem os enormes tamanhos do azul francês e do vermelho inglês. Alemanha, verde claro, ficou com um território pequeno e com poucos recursos. Imagem: Internet.

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A Inglaterra ficou com excelentes regiões como o Egito e seu estratégico Canal de Suez e a riquíssima África do Sul, com enormes jazidas de ouro. A França não ficou para trás, abocanhando enorme território, incluindo o cobiçado norte da África.

Alemanha e Itália tiveram que se contentar com poucas terras de parcos recursos. Uma rivalidade surgiu entre os dois grupos, Inglaterra/França x Alemanha/Itália.

A partilha da África gerou tremendas sequelas entre os habitantes do continente, tema que será abordado em um post específico no futuro.

2- Disputas comerciais

Em meio Segunda Revolução Industrial, que precedeu a 1º Grande Guerra, os grandes monopólios manufatureiros das potências europeias disputavam palmo a palmo os mercados consumidores e fornecedores de matérias primas.

Quem possui mais territórios, aumenta as possibilidades de possuir matérias primas e mercados consumidores. A partilha da África acirrou ainda mais essa disputa.

3 – Alsácia e Lorena

Estes territórios, historicamente, sempre acirraram a rivalidade entre os dois vizinhos, França e Alemanha.

Por terem grandes reservas de carvão e minério de ferro (matérias primas do aço) sempre foram disputadas por ambos.

Os territórios eram germânicos e foram tomados pela França no século XVII. Durante a Guerra Franco-Prussiana (1871), foi retomada pela Alemanha, recém unificada.

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Importantes e disputadas regiões da Alsácia e Lorena. Imagem: Internet

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A França queria a revanche.

4 – A formação de blocos 

Os nacionalismos, empurrados pela mídia, guerras perdidas e rixas antigas estavam em alta na Europa.

Surgiu na Alemanha um movimento que tinha como objetivo unir, em um único país, todos os povos de origem germânica, considerados superiores. Ficou conhecido como o Pan-Germanismo, ou seja, todos os germânicos. O Império Austro-Húngaro fazia parte do movimento, assim como regiões de outros países. Qualquer porção germânica atacada, seria defendida por todos.

Por sua vez, a Rússia capitaneou o Pan-Eslavismo, nos mesmos moldes do germanismo, só que entre os povos eslavos. Polacos, sérvios, eslovacos, eslovenos, entre outros, faziam parte.

Ficou a divisão, de um lado a  Europa Central (germânica) frente o Leste Europeu (Eslavo).

Paralelamente aos nacionalismos, França, Inglaterra e Rússia fecharam um acordo militar em 1904, conhecido como Tríplice Entente (triplo acordo). O  objetivo era fazer frente a agressiva política expansionista da Alemanha.

Qualquer um dos 3 países atacado, seria defendido por todos.

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Tríplice Entente. Acordo firmado em 1907. Imagem: Internet

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Itália e Alemanha, desfavorecidos pela partilha da África, também se comprometeram a unir forças em caso de agressão proveniente de outros países.

A Europa estava demarcada.

5 – Militarismo

Todos os itens anteriores geraram na Europa, durante o final do século XIX e início do XX, uma corrida armamentista. Vários apetrechos militares foram inventados neste período, lembrando que vivíamos uma época de ouro das inovações tecnológicas.

Os submarinos foram uma invenção do início do Século XX e participaram da 1º Guerra. Imagem: Internet.

Os submarinos foram uma invenção do início do Século XX e participaram da 1º Guerra. Imagem: Internet.

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O site Terra fez um interessante slide show sobre as armas da 1º Guerra, confiram. 

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Os tanques foram usados pela primeira vez durante a 1º Guerra Mundial. Imagem: Internet

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Como todos se armavam, sem batalhas, o momento pré-Guerra Mundial ficou conhecido como “A paz armada” (1871-1914).

Mesmo sem conflitos, todos estavam se preparando para o pior.

A tensão explode no próximo texto

Como podemos perceber, o momento europeu não era nada bom, o ar estava pesado. Vizinhas e rivais, as potências se suportavam apenas e qualquer desculpa iniciaria um enorme conflito. Foi o que aconteceu em junho de 1914, tema do nosso próximo post, “A 1º Guerra Mundial”. Imperdível!

Espero ter aumentado seu conhecimento.  Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 02.03.2016

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