109. 2º Guerra – Ascensão Nazista

Muitos especialistas afirmam que não existiram duas grandes guerras mundiais. O que ocorreu foi um imenso conflito dividido em duas partes. Os motivos dessa tese é o fato da 2º Guerra Mundial ter sido provocada, principalmente, pelo tratado que finalizou a 1º Guerra, assinado em Versalhes, tema de nosso último texto.

Damos início agora a uma série de 5 textos sobre a 2º Grande Guerra Mundial:

Desastre Alemão

Tendo perdido territórios, regiões com grandes recursos, com a indústria proibida de fabricar armas, exército controlado e pagando enormes dívidas, a Alemanha agonizava. Cerca de 7 milhões de alemães haviam mudado de cidadania, tendo suas regiões (13% da Alemanha) incorporadas por outras nações.

A inflação deteriorava o valor do marco alemão. Entre janeiro e novembro de 1923 o valor do dólar passou de 18 mil para 4 bilhões de marcos. Impressionante!

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Em 1931 quase 30 mil empresas alemãs já haviam falido e o desemprego chegava a marca de 4 milhões de alemães.

Em meio a este país em crise, emerge um movimento radical e ambicioso, ofertando alguma esperança ao povo.

Adolf Hitler

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Jovem Hitler. Imagem: Internet

Hitler nasceu na Áustria e tinha como meta na vida ser um grande pintor. Tentou entrar na Academia de Artes de Viena, onde foi recusado por não ser apto o bastante.

Para analisarmos os dotes artísticos de Hitler, o site Ecos da 2º Guerra nos mostra alguns quadros pintados por ele, confiram.

Com a morte dos pais, sua situação econômica se complicou, até que, durante a 1º Guerra Mundial, foi incorporado ao exército alemão. Lembramos que Áustria e Alemanha são nações de maioria germânica  e Hitler sempre defendeu a unificação entre os dois países.

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Hitler com uniforme de campanha na 1º Guerra. Ainda com bigode grande. Imagem: Internet

Durante o conflito, Adolf era cabo e tinha uma das missões mais perigosas do exército, mensageiro. Essa era uma das poucas funções militares que não podiam ficar nas trincheiras, tendo que carregar mensagens em todo o front.

Foi ferido duas vezes, uma quase mortalmente por gás.  Esse ataque o deixou cego por meses e, após o episódio, diminui seu bigode, já que o mesmo, mais vasto, foi um dos responsáveis pelo não vedamento completo da máscara de gás, resultando em um intoxicamento quase mortal.

Condecorado por bravura com a Cruz de ferro, saiu da guerra com profundas cicatrizes psicológicas, que depois usou como combustível para destilar todo seu ódio e vingança.

Por sua vez, fazendo o contraditório, a revista Galileu desmonta o mito da bravura de Hitler. Segundo um historiador, o papel do líder nazista na 1º Guerra foi secundário, confiram.

Nazismo

Todo país mergulhado em um momento de crise social e econômica, abre espaço para o surgimento e proliferação de ideologias radicais. O período entre guerras foi pródigo em produzir regimes antidemocráticos como afronta ao avanço do comunismo. Entre os países europeus que não se encontravam tão bem economicamente, isso foi mais forte.

A partir do Fascismo italiano, surgiram várias ideologias similares como o Salazarismo em Portugal, o Franquismo na  Espanha e o terrível  Nazismo alemão.

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Benito Mussolini, italiano líder do Fascismo, chegou ao poder com uma marcha de 30 mil homens sobre a capital Roma. Sua ideologia inspirou todas as outras desse mesmo espectro de atuação. Imagem: Internet.

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O nome Nazismo deriva de uma abreviação de Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães. Obviamente esse socialismo no nome nada tem a ver com o comunismo.

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Símbolo do partido Nazista. Imagem: Internet.

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O partido foi fundado em  5 de janeiro de 1919, na Baviera. Adolf Hitler se associou em setembro. Sendo herói de guerra e grande orador, rapidamente se tornou o porta voz da ideologia. Muitos acreditam que Hitler criou os pilares do nazismo, mas não é verdade. O alicerce foi construído por Dietrich Eckart,  um profundo anti-semita e mentor do Fuhler. Foi, também, o primeiro a usar o termo Terceiro Reich.

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Hitler em 1923, início do nazismo. Imagem: Internet.

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O programa político do partido era centrado no antissemitismo (ódio aos judeus), extremo nacionalismo (explorando o sentimento de vingança contra as potências vencedoras da 1º Guerra) e críticas ao capitalismo internacional.

Ódio aos Judeus 

Primeiramente, é necessário entender que judeus, biologicamente, não formam uma raça. Raça é um conceito ideológico e não biológico. Não existem raças entre os seres humanos, sendo os judeus então cidadãos comuns, porém, com uma religião diferente em relação a maioria dos alemães daquela época.

Os judeus são um grupo de indivíduos que se identificam pela religião e cultura.

Não existe uma explicação convincente e definitiva para explicar o ódio dos nazistas em relação aos judeus. Porém, algumas hipóteses podem ser levantadas.

Psicologicamente, a melhor forma de se unir um grupo ou uma nação é criando um inimigo em comum. Os judeus da Alemanha se tornaram o alvo principal. Não eram católicos, possuíam um calendário próprio e não comiam as mesmas comidas dos alemães. Tudo isso é normal, em se tratando de uma religião diferente, mas para os nazistas foi a desculpa para levantar sobre eles todo tipo de acusações.

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Ao longo da 2º Guerra 6 milhões de judeus, entre eles mulheres, crianças, todos civis, foram exterminados. O episódio ficou conhecido como Holocausto e será tema em nosso blog no futuro. Imagem: Internet.

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Uma das falácias de Hitler era culpar os judeus pela derrota na 1º Guerra Mundial. Dizia que eram espiões e pessoas ligadas aos interesses franceses e ingleses.

Além do aspecto cultural, existe também a questão econômica. Como cidadãos normais, existiam judeus de todas as classes sociais, entretanto, os mais abastados, despertavam o interesse nazista.  Ao prender um judeu, todo seu patrimônio era incorporado ao governo alemão.

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Hitler em 1930 disseminando o ódio aos judeus em um comício. Imagem: Internet.

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A editora Abril fez uma análise mais profunda sobre a polêmica, observando aspectos da Idade Média, assim como a participação da Igreja Católica na disseminação do antissemitismo, confiram. 

Existem  também uma série de especulações sobre a infância de Hitler e seu contato com a comunidade judaica, mas nada disso pode ser confirmado de forma histórica.

Putsch da Cervejaria e Mein Kampf

Em 1923, por graves problemas econômicos, a Alemanha parou de pagar das dívidas acordadas no Tratado de Versalhes. O país então foi invadido pela França e Bélgica, que ocuparam regiões em represália ao não pagamento. Os nazistas, sentindo-se humilhados, tentaram um levante para chegar ao poder na Baviera (Bavária).

A expressão “Putsch” significa golpe em alemão, e “Cervejaria” era o local onde os nazistas se reuniam para discutir e planejar ações. Seria o primeiro passo para a tomada do poder de toda a República de Weimar.

A polícia local controlou a insurgência, vários nazistas foram mortos, fugiram, ou como Hitler, presos. Saiba mais sobre este golpe no site Wikipedia.

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Forças nazistas na Praça Central de Marienplatz durante a revolta de Munique, em 1923. Imagem: Internet

 

Por ironia do destino, a prisão fez bem a Hitler, levando-se em consideração que, durante os 9 meses que ficou preso, escreveu uma auto biografia, onde expunha todas as suas ideias. O livro se tornou best seller na Alemanha, sendo considerado uma das principais armas de propaganda do nazismo.

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Capa de uma das edições do livro “Minha Luta”. Imagem: Internet

A bíblia nazista, como o livro era conhecido, reunia argumentos e teorias que foram disseminadas pela Europa. O foco era o ódio ao Tratado de Versalhes, judeus, a supremacia ariana e o nacionalismo germânico. Rudolf Hess, seu braço direito, foi coautor da obra, mas deixou toda glória para seu ídolo máximo.

O sucesso não foi instantâneo. Em 1925, ano de seu lançamento,o livro só vendeu 9.473 exemplares. Em 1931 forma vendidos 50 mil. No ano em que Hitler chegou ao poder as vendas alcançaram 1 milhão e em 1940, auge do Nazismo na Alemanha, 6 milhões.

Polêmica: Em 2016, Mein Kampf caiu em domínio público e pode ser publicado por qualquer editora, confiram no site Terra. 

O TJ do RJ, por exemplo, proibiu a comercialização do livro, confiram no site G1.

Próximo texto

Em nosso próximo post veremos a chegada nazistas ao poder e suas terríveis consequências. Imperdível!

Espero ter aumentado seu conhecimento.  Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 23.03.2016

 

 

 

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