118. Teoria da Tectônica de Placas

Em nosso texto anterior, observamos a história de Alfred Wegener, primeiro cientista a provar que os continentes já estiveram unidos. Apesar da falha, sua teoria inspirou outros gênios a pesquisarem o que realmente se desenvolve na superfície de nosso planeta.

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Gif ilustrando a separação da Pangeia. Fonte: Internet.

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Wegener criou o termo Pangeia para designar o megacontinente que existiu no passado. Essa enorme massa de terras primeiro se fragmentou em dois grandes pedaços, denominados Laurásia ao norte e Gondwana ao sul. Passados milhões de anos, esses pedaços também se fraturaram, até a formarem os continentes atuais. A forma como isso ocorreu ainda era um mistério em meados do século XX.

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A Laurasia se partiu em América do Norte, Europa e Ásia. A Gondwana se quebrou, formando América do Sul, África, Índia, Antártida e Austrália. Imagem: Internet.

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O entendimento deste complexo fenômeno só viria na década de 1960.  Um quebra cabeças de propostas foram se completando até formar a teoria geológica que nos explica o que ocorre em nossa crosta.

A Idade do Fundo do Mar

Durante a 2º Guerra Mundial foi desenvolvido o sonar, equipamento que tinha como objetivo detectar submarinos alemães.  Posteriormente, esta invenção também foi muito útil para a ciência, mapeamento o fundo dos oceanos.

Em 1962, analisando mapas do assoalho oceânico, os norte-americanos  Harry Hess e Robert Dietz, descobriram algo muito interessante. Detectaram uma enorme falha, do norte ao sul do planeta terra, rasgando o Oceano Atlântico em dois.

Utilizando a geocronologia (datação da idade das rochas), entenderam que, na verdade, o Atlântico não possui a mesma idade do nosso planeta. Ele é muito mais jovem que a Terra e foi se abrindo ao longo dos últimos milhões de anos.

Chegaram a esta conclusão após observaram que, quanto mais próximo a rocha esta da falha, mais nova ela é.  Isso deu a entender que o fundo do Oceano Atlântico foi se formando enquanto os continentes se distanciavam.

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Imagem computadorizada do fundo do Oceano Atlântico. As cores nos mostram a idade das rochas (quando se solidificaram). Azul claro, verde, amarelo e vermelho. Quanto mais próximo da fenda (vermelho), mais recentes são. Fonte: Internet.

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A medida que a América do Sul e a África foram se afastando, o magma extravasou de dentro do planeta e preencheu os espaços, se solidificando em seguida. Uma demonstração clara que o assoalho oceânico do Atlântico não foi formado junto com o planeta.  Um vídeo nos mostra como as placas se moveram ao longo dos últimos milhões de anos, confiram no site Youtube.

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Perfil do início da separação da placa Sul-americana e Africana e a abertura do Oceano Atlântico. Imagem: Internet.

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A interferência do Magnetismo nas Rochas

Outra grande evidência da movimentação da Crosta foi descoberta por P.M. Blackett e S. K. Runcorn. O magnetismo da Terra influencia algumas rochas durante a sua formação, orientando seus minerais. Este estudo, denominado Paleomagnetismo, revelou que os polos magnéticos da Terra se invertem de tempos em tempos.

Dentro do mesmo tema, outra contribuição veio em 1963. E.J. Vine e D. H. Mathews, da universidade de Cambridge, interpretando faixas de orientações magnéticas das rochas do Oceano Pacífico, sugeriram que elas guardavam o registro do campo magnético no momento em que as rochas foram formadas.

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A cada inversão dos polos da Terra, a orientação dos minerais que estavam se formando também mudavam. Imagem: Internet.

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Cada período de formações de rochas deixou gravado nas mesmas a polaridade do planeta naquele momento. Outra pista de que o fundo do Atlântico se formou vagarosamente no passado.

Surge a palavra tectônica

No ano de 1965, o geólogo Tuzo Wilson, fez um paralelo interessante. Segundo ele, a crosta fraturada de nosso planeta se comporta como placas, movendo-se sobre o manto, tema de nosso texto 115. A partir dessa comparação, surgiu o termo tectônica de placas (do grego τεκτονικóç, ou seja, relativo a construção do relevo).

Todas as contribuições científicas  listadas acima foram importantes para a formulação da Teoria da Tectônica de placas, finalmente proposta, entre 1967 e 1968, por Jason Morgan, Robert Palmer, Donald Mackenzie, entre outros. 

Teoria da Tectônica de Placas

Na verdade não são os continentes que se movem. O que se movimentam  são pedaços ainda maiores de terra, denominadas placas tectônicas.

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Principais placas tectônicas da Terra. Clique na Imagem para ampliar. Fonte: Internet.

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O magma abaixo da crosta está em constante movimento, denominados correntes de convecção, que reverberam na placa. De acordo com a direção destes movimentos, a placa então é arrastada para um lado ou para outro.

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Movimentos do magma que movimentam as placas. Imagem: Internet.

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Em alguns casos o movimento separa as placas, geralmente nos fundos dos oceanos, criando uma fenda entre elas, por onde o magma extravasa. Ao sair do fundo do o planeta e entrar em contato com as águas geladas do fundo do mar, o material magmático se resfria, solidifica e volta a tampar a venda. Dessa forma, por exemplo, a América do Sul foi se afastando da África.

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Limite Divergente, as placas se separam. Gif: Internet.

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Os alunos sempre perguntam: se as placas estão se afastando, surgindo um oceano entre os continentes, por que o planeta não aumenta de tamanho?

Simples, do outro lado, oposto a separação, elas se chocam com outras placas. Como dois corpos não podem ocupar, ao mesmo tempo, o mesmo lugar no espaço, uma das placas desce, enquanto a outra sobe, formando as cadeias de montanhas.

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Limite Convergente, as placas se chocam. Gif: Internet.

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A placa menos densa, geralmente a oceânica, desce, enquanto a mais densa, continental,  se dobra. Quando o choque é entre duas placas continentais, nenhuma sede, as duas se dobram. É o caso da maior cadeia de montanhas da Terra, o Himalaia.

O fenômeno de descida de uma placa tectônica por baixo de outra se chama subducção.  Quando uma placa desce, ela é dissolvida pelo calor do Manto. Ou seja, enquanto algumas placas crescem, outras diminuem, continuando o planeta com o seu  tamanho.

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Subducção, uma placa desce por de baixo de outra. Imagem: Internet.

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Para finalizar, existem também placas que se raspam, como no caso da Falha de San Andreas, na Califórnia. São os Limites Transformantes ou Tangenciais e também são responsáveis por terremotos.

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Limite Transformante. Gif: Internet.

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A fantástica Teoria da Tectônica de Placas foi um trabalho arduamente construído por inúmeras pessoas e que ainda continua. Em nosso texto número 29, trouxemos mais detalhadamente a questão dos limites entre as placas, confiram.

Curiosidade

Quando a Pangeia existia, obviamente não existiam os países atuais. Aliás, há 130 milhões de anos atrás, os seres humanos estavam longe de surgirem no planeta. As formas mais modernas de Homo sapiens apareceram pela primeira vez há cerca de 120 mil anos.

Mas, como entretenimento, apresentamos a vocês a Pangeia com as fronteiras atuais entre aos estados nacionais. Veja onde o seu país estava localizado naquele momento da história geológica da Terra:

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Pangeia com as fronteiras atuais entre os países. O Brasil não possuía litoral. Imagem: Internet.

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Em uma visão mais próxima:

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O Brasil estava junto a África. Imagem: Internet.

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Espero ter aumentado seu conhecimento.  Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 18.05.2016

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