143. A Intrincada Eleição nos EUA

Os Estados Unidos da América representam uma das democracias mais longevas do planeta. O detalhe é que o sistema eleitoral norte-americano é tremendamente confuso, gerando estranheza em todo o mundo.

Produzimos este post para que nosso leitor entenda melhor como o ser humano mais poderoso do mundo, o presidente dos EUA,  é eleito.

Parte do problema é o fato do país ser uma confederação, ou seja, uma junção de estados soberanos, o que permite grande autonomia para cada um.  Mas não é somente isso, existem outras variáveis.

Prévias republicanas e democratas

O primeiro passo é a escolha dos candidatos. Nos EUA existem diversos partidos, mas somente dois, o Democrata e o Republicano, elegem presidentes. Os outros atraem poucos votos da população em geral, historicamente acostumada aos dois gigantes.

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O elefante é o símbolo do Partido Republicano. O burro é o símbolo dos Democratas. imagem: Internet

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Cada estado tem a prerrogativa de definir como e quando serão as suas prévias. Em cada local acontece de uma forma. Em alguns a votação é aberta, qualquer pessoa pode votar. Em outros é fechada, só filiados ao partido tem direito a voto. Independente da forma, só se pode votar em umas das votações, na democrata ou na republicana.

O voto popular orienta o voto dos delegados dos partidos. Os votos desses membros especiais é que são computados.

No Partido Republicano há 2.470 delegados, espalhados pelos estados, de acordo com a população de cada um. No Partido Democrata existem 4.491.

Cada estado escolhe como os delegados irão votar. Pode ser de acordo com o percentual de votos de cada candidato, ou seja, se um estado possui 10 delegados e um candidato obteve 60% dos votos, leva 6 votos.  Existem também estados onde todos os delegados votam no vencedor, ou seja, no exemplo citado acima, o candidato levaria todos os 10 delegados do estado.

Se nenhum candidato atingir a maioria simples, metade mais um, uma nova votação é feita. Dessa vez, um grupo de delegados possuem maior peso na votação. São conhecidos como “superdelegados”, membros da cúpula do partido, que podem votar como simplesmente entenderem.

Após a escolha dos candidatos de cada partido começam realmente as campanhas presidenciais. Geralmente temos dois grandes nomes na disputa. Em 2016 o embate está sendo entre Hillary Clinton (democrata) e Donald Trump (republicano) .

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A esquerda a ex-senadora Hillary, esposa do ex-presidente Bill Clinton. A direita o falastrão e bilionário Trump. Imagem: Internet

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Vez ou outra aparece um terceiro candidato, chamado de independente. Em geral, não desperta grande interesse.

Vota quem quer

A eleição ocorre sempre no início de novembro, de 4 em 4 anos. O primeiro fato a se destacar é que nos EUA o voto é facultativo, vota quem quer. Outro ponto curioso é que a votação acontece em uma terça feira, dia comum e sem feriado, o que dificulta a ida do eleitor as urnas. Bem diferente do Brasil, onde o cidadão tem o dever de votar, sempre em um domingo.

Como nosso blog é educativo, não podemos deixar passar em branco: Caso o brasileiro não compareça as urnas e não justifique esta ausência, não poderá requerer passaporte ou carteira de identidade, receber salário de entidades públicas, fazer parte de concorrência pública, solicitar empréstimos em qualquer banco do governo, inscrever-se em concursos ou tomar posse em cargos públicos, renovar matrícula em qualquer instituição mantida pelo Estado e requerer qualquer documento que necessite da quitação eleitoral.

Votação indireta

Na verdade, quem realmente elege o presidente dos EUA é o colégio eleitoral, que desde 1954 é composto por 538 delegados, que, neste caso, representam o estado e não mais os partidos. O candidato que atingir a maioria simples, ou seja, 270 votos, está eleito.

O número de delegados é definido por estado e está relacionado ao número de habitantes de cada um. O mínimo possível são 3 representantes.  Quanto mais populoso, mais delegados o estado tem. Confiram no mapa abaixo:

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Número de delegados por estado nos EUA. Imagem: Internet

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A Califórnia (55), o Texas (38), Nova Iorque (29) e Flórida (29) são os estados com maior número de delegados, portanto, os mais decisivos e importantes.

Na eleição para presidente, o candidato que vencer no estado leva todos os delegados, independente do tamanho de sua vitória.

Se nenhum candidato presidencial atingir os 270 delegados, a votação vai para a Câmara dos Deputados, onde cada estado tem um voto. Duas eleições foram decididas assim, a de Thomas Jefferson, em 1800, e de John Quincy Adams, em 1824.

Cabe aos 100 senadores elegerem o vice. Isso abre a possibilidade de termos presidente e vice de partidos diferentes.

Curiosidade I

Em geral, os estados litorâneos votam nos democratas, são mais liberais. Os estados centrais dos EUA costumam ser republicanos, mais conservadores. A própria geografia explica isso, estados litorâneos tem, naturalmente, um maior contato com o mundo, possuindo cidades cosmopolitas como Los Angeles, San Francisco e Nova Iorque.

Entre um grupo e outro existem estados indecisos, a cada eleição elegem um ou outro partido. São conhecidos como “swing states” e são decisivos na disputa. Vejam abaixo o resultado das eleições de 2012, vencidas pelo democrata Barack Obama:

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Notem um relativo padrão entre os estados. Azul democratas, vermelho republicanos. Imagem: Internet

 

Curiosidade II

Em 2000 ocorreu um fato inusitado. George W. Bush venceu as eleições contra Al Gore, mesmo tendo quase 440 mil votos a menos. Isso pode ocorrer, já que, independente de vitória apertada ou não, se leva todos os representantes de um estado na votação.

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Gore e Bush em um debate presidencial. Imagem: internet

 

Al Gore teve um total de 51.003.926 contra 50.460.110. Porém, Bush teve mais votos no Colégio Eleitoral (271 a 266) e acabou elegendo-se. Isso já havia ocorrido outras 3 vezes.

Confuso? Demais.

Exemplo

Para entendimento de nossos leitores, vejam este exemplo simples de como um candidato pode vencer com menos votos que seu adversário.

Imagine um país com 3 estados:

A: com 100 mil eleitores e 10 delegados.

B: com 50 mil eleitores e 5 delegados.

C: com 40 mil eleitores e 4 delegados.

Imagine que o candidato X tenha vencido em A por 5 mil votos de diferença, mas perdido em B e C por 10 mil votos em cada (20 mil). Então, no total, X teve 15 mil votos a menos que o candidato Y, porem, por ter vencido em A, levou seus 10 delegados, contra 9 de Y (B + C).

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Post scriptum: Trump venceu, porém com menos votos que a Hillary, como nosso blog havia explicado.

Publicado em 08.11.2016

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