24. Esporte e Política, Mistura Indigesta

Esporte e política são, provavelmente, dois dos assuntos que geram mais polêmicas e debates calorosos. Vou dar inicio a uma serie de 3 textos relacionados ao esporte e seu uso como propaganda para vários governos, regimes e, até mesmo, grupos terroristas ao longo da história.

Vamos iniciar com dois momentos marcantes para o esporte, e seu uso midiático por dois governos bastante controversos:

Jogos Olímpicos de 1936

Em 1931, o Comitê Olímpico Internacional (COI) escolheu Berlim como anfitriã dos Jogos Olímpicos de 1936. Em 1933, Hitler chega ao poder na Alemanha e a Olimpíada tem sua finalidade distorcida.

Sediar um evento de tamanho porte, era uma oportunidade para a Alemanha retornar ao cenário internacional após a I Guerra Mundial. Somente 3 anos antes do início da II Guerra Mundial, a Alemanha nazista patrocinou os maiores Jogos Olímpicos de todos os tempos, até aquele momento.

Equipe Alemã faz saudação nazista na Copa do Mundo de 1934Reprodução: Folha Imagem

Equipe Alemã faz saudação nazista na Copa do Mundo de 1934
Reprodução: Folha Imagem

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Os nazistas não pouparam esforços e dinheiro para fazer da Olimpíada, uma propaganda do partido. Era a redenção de um regime racista e a chance de mostrar ao mundo a imponência, força e superioridade do povo “Ariano”.

Os melhores engenheiros do Reich participaram dos projetos das arenas esportivas. Só o Estádio Olímpico, custou US$ 30 milhões, uma fortuna para a época. Todas as grandes indústrias alemãs colaboraram, visando fazer dos jogos um momento histórico para a glória de Adolf Hitler. O sucesso foi total, com 3 milhões de espectadores nas arquibancadas.

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Hitler nas tribunas do Estádio Olímpico de Berlim. Imagem: Internet

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Como a perseguição aos Judeus já havia começado na Europa, vários deles não aceitaram participar dos jogos. Se as nações ocidentais tivessem feito o mesmo, se conseguissem imaginar o que estava por vir anos depois, poderiam ter boicotado essas olimpíadas também. Hilter perderia essa chance de elevar a moral dos Nazistas.

Jesse Owens, Herói Mundial

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Jessie Owens, medalha de ouro, e um alemão, medalha de prata, fazendo a saudação Nazista. Imagem: Internet.

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A nota interessante é que, um negro, norte-americano, chamado Jessie Owens, quase estragou a festa nazista, ganhando 4 medalhas de ouro no atletismo, calando a boca de todos no estádio e jogando por terra a tal superioridade ariana propagandeada na época. Adolf Hitler, irritado, se recusou a cumprimentar os medalhistas deste dia. Provavelmente, Owens não tinha noção do que havia feito por todos nós naquele dia.

O episódio de 1936 foi um exemplo, ridículo, do uso do esporte como propaganda de um regime.

Outro exemplo ocorreu no Brasil:

Copa de 1970

Em 1968, foi instaurado no Brasil o AI5, Ato institucional 5, que vigorou até dezembro de 1978 e produziu um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros. Definiu o momento mais duro do regime, dando poder de exceção aos governantes para punir arbitrariamente os que fossem inimigos do regime ou como tal considerados.

No ano de 1970, assume o general Emílio Garrastazu Médici, em um dos anos mais tensos para o Brasil. A ditadura militar estava vivendo o auge do regime, conhecido como “anos de chumbo”. Um ano antes, as guerrilhas urbanas eclodiram no Brasil, e até mesmo um embaixador Norte-americano havia sido sequestrado, expondo ao mundo as mazelas do regime dos generais. Já no âmbito esportivo, um momento mágico, a conquista do inédito Tri campeonato mundial de futebol. Como o filósofo já dizia, futebol é o ópio do povo, sendo assim, a ditadura pegou carona na conquista.

http://copa.imguol.com/2010/copadomundo/2010/04/12/pele-ergue-a-taca-jules-rimet-ao-lado-do-general-emilio-garrastazu-medici-apos-vencer-a-copa-do-mundo-de-1970-1271118056711_956x500.jpg

Pelé erguendo a taça ao lado do Presidente Médici. Imagem: Internet

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Simultaneamente a alegria do povo com a conquista da copa, a economia atingia o auge do que se chamou de “Milagre Econômico”, período de 1969 a 1973 em que a economia do Brasil cresceu entre 7 a 13% ao ano. A máquina de propaganda militar agradeceu, usou este sentimento de euforia para propagandear um Brasil vitorioso, próspero e feliz, o lema era “90 milhões em ação, Pra frente Brasil”.

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Médici erguendo a taça. Imagem: Internet.

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Milhares de brasileiros foram para as ruas comemorar,  sempre acompanhadas de perto por agentes do DOPS e policiais militares. A alegria foi tanta, que o presidente abriu as portas do Palácio do Planalto para o povo, que o carregou nos braços, como escrito em relato do jornal Folha de S. Paulo do dia 22 de junho de 1970.

O uso do esporte como propaganda de um regime, mais uma vez, foi descarado.

Enquanto isso, nas celas pelo Brasil, os presos eram torturados, mortos e desaparecidos. Mães procuravam por seus filhos, filhos procuravam por seus pais. Mas quem se importa, se somos os maiores do mundo. No futebol!

Fica a reflexão!

Nosso próximo texto continua abordando o tema. Confiram!

Espero ter aumentado o conhecimento de todos os leitores. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 12.04.2015

 

 

 

 

2 comments to “24. Esporte e Política, Mistura Indigesta”

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