152. Urbanização Brasileira

Vivemos em um país maravilhoso, pelo menos em termos de paisagens naturais isso é indiscutível. Entretanto, principalmente em nossas grandes cidades, convivemos com graves problemas que parecem insolúveis. Falta de moradias dignas, transito caótico, violência urbana, poluição do ar e lixo são só alguns dos principais.

Nosso texto de hoje nos mostra as origens desses problemas, concentradas na forma rápida e desordenada com que nos urbanizamos.

Urbano

O termo tem origem na expressão latina urbi, que significa cidade. Urbano é tudo aquilo que diz respeito a cidade, que por sua vez significa local onde se agrupam zonas residenciais, comerciais e industriais. É a sede do município, onde existe concentração de habitantes. O que não é urbano é rural. Dentro de um próprio município, área administrada por uma prefeitura, podem existir uma área urbana e outra rural.

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Cidade (urbano) e campo (rural). Imagem: Internet

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Urbanização

O processo de urbanização é caracterizado pela troca percentual de uma população do campo (rural) para a cidade (urbano). O processo de êxodo rural (saída do campo) é um dos fatores que explicam o enorme crescimento da população urbana em quase todo o mundo.  Mesmo que as primeiras cidades tenham surgido na Mesopotâmia há 5.500 anos atrás, o processo de urbanização só teve início no século XVII, após a Revolução Industrial.

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Ilustração da industrialização europeia, tipicamente urbana, provocando um forte êxodo rural. Imagem: Internet

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Pelo fato da indústria depender de farta mão de obra, sempre foi um setor ligado a aglomerações urbanas. Além disso, as indústrias fabricam as máquinas que retiram empregos no campo. Com uma oferta menor de emprego, resta ao camponês tentar uma vida melhor nas cidades, exatamente onde estão as fábricas, ofertando maior empregabilidade. Em resumo, a industrialização interfere duplamente no processo de urbanização.

Inglaterra

Berço da Revolução Industrial em 1760, a Inglaterra foi o primeiro país do planeta a ter mais de 50% de sua população urbana, isso já em 1850. Ao final do século XIX, o país já havia concluído sua transição, com quase toda população vivendo em cidades. Apesar de muitos problemas, principalmente em Londres, foi uma urbanização lenta, que demorou cerca de 150 anos para se concretizar. Com mais tempo para se organizar, a Inglaterra teve maior capacidade de realocar a massa de pessoas que chegavam do campo.

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Em 1900 (Londres na foto), a Inglaterra já havia concluído sua urbanização. Como exemplo, neste mesmo momento, Belo Horizonte era uma cidade com apenas 3 anos de idade. Imagem: Internet

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Outros países como a França, e mais tarde os EUA, grande protagonista da 2º Revolução Industrial, também passaram pelo mesmo processo.

Brasil

Até os anos 1930 nosso país era agrário, com a maior parte da população vivendo no campo. Como praticamente não participamos das duas primeiras Revoluções industriais, perdemos o bonde da história. A partir da Era Vargas (1930-1945) e dos governos posteriores, principalmente JK (1856-1961), vivenciamos uma expansão industrial. Ao chegar por aqui, muito depois do que em outros países, a indústria já estava em um estágio bem mais avançado, produzindo equipamentos que ceifavam muito mais empregos rurais do que anteriormente. De repente, um forte êxodo rural assolou o Brasil, perdurando por várias décadas.

Em termos de urbanização, o que a Inglaterra demorou 150 anos para fazer, fizemos em 50. 

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A partir da década de 1940 o processo de urbanização deslanchou no Brasil. Hoje, cerca de 85% dos brasileiros são urbanos. Imagem: Internet

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Simultaneamente ao êxodo rural, vivíamos em nosso país o que chamamos de explosão demográfica. Com as condições médico-sanitárias melhorando, começamos a viver mais, porém, ainda não éramos evoluídos socialmente a ponto de termos planejamento familiar. Até as décadas de 1940/50 as mulheres ainda eram em sua maioria donas de casa, com uma taxa de fecundidade de mais de 6 filhos para cada uma em média. Nosso blog abordou esse assunto no texto número 91.

Tanta gente chegando do campo, somado a um número incrível de nascimentos, fez nossas cidades literalmente explodirem de gente.

Todas as capitais brasileiras sofreram grande crescimento populacional, mas em algumas a situação foi mais calamitosa. Além de pessoas do campo, a capital paulista ainda recebeu um grande fluxo de pessoas vindas do Norte/Nordeste do Brasil, se tornando a cidade a mais populosa da América Latina.

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Impressionante crescimento da cidade de São Paulo. Imagem: internet

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Vejam na tabela acima o absurdo crescimento populacional da cidade de São Paulo entre os anos de 1950 e 1970. Em apenas 20 anos, a população quase triplicou. Após este período, até o ano 2000, um aumento de quase  4,5 milhões de pessoas foi constatado.

O resultado não poderia ser outro, sem uma política de habitação, tivemos uma explosão de bairros periféricos e favelas, além de todos os problemas urbanos citados no início do texto.

Se uma reforma agrária tivesse sido feita, milhões de famílias teriam continuado no campo, minimizando o problema. Como não tivemos essa preocupação por parte dos nossos governantes, cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Fortaleza, Salvador e Belo Horizonte se deterioraram e acumularam um cinturão de excluídos.

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O Complexo do Alemão no RJ é um exemplo de como nossa urbanização foi caótica. Imagem: Internet

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Atualmente temos um déficit de quase 7 milhões de moradias em nosso país. desse total, 85% são em áreas urbanas. Um baita desafio a ser resolvido, veja em reportagem do site do jornal O Globo. 

Diminuição do ritmo

Nas últimas décadas o Brasil presenciou uma diminuição significativa em seu êxodo rural. Esse fenômeno é explicado pelo fato de já estarmos quase completando nossa urbanização. A maior parte dos brasileiros (84%) já mora em cidades. Somado a uma queda da taxa de fecundidade, não vivemos mais o crescimento abrupto das grandes capitais.

Outro fenômeno interessante é o processo conhecido como “desmetropolização” ou desconcentração. No Brasil atual, as metrópoles estão crescendo menos que as cidades médias. Devido ao inchaço urbano, alto preço dos imóveis, violência, trânsito,  entre outros fatores presentes nas grandes cidades, famílias e indústrias estão migrando para cidades menos populosas como Uberlândia, Ribeirão Preto e Londrina.

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Veja como após no ano 2000, a população da cidade de São Paulo já crescia pouco em termos percentuais. Imagem: Internet

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Mesmo crescendo menos, o estrago já foi feito. A preocupação deste texto é alertar sobre as cicatrizes e problemas deixados pelas décadas passadas. Os migrantes que chegaram nas capitais deixaram herdeiros, que também tiveram seus filhos e assim sucessivamente. Todos precisam de moradias, creches, escolas, segurança, saúde, enfim, uma vida digna.

Próximo texto

Nosso post irá explicar aos nossos leitores o que significam palavras ligadas ao estudo da urbanização: Metrópole, megalópole, região metropolitana, conurbação, megacidade e cidade global. Imperdível e muito interessante!

Espero ter aumentado seu conhecimento. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 01.03.2017

 

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