150. O Novo Empreendimento de Trump

Os últimos anos da política internacional foram intensos. Guerra na Síria, surgimento do Estado Islâmico, fuga de imigrantes, crises econômicas, entre outros assuntos.

Um dos temas mais discutidos foram as eleições nos EUA e a inesperada vitória de Donald Trump. Dono de bilhões de dólares e de um temperamento infantil e explosivo, o magnata deixou o mundo atônito com suas ideias não convencionais. Do conjunto de sua obra eleitoral, vamos discutir um dos pontos mais extremos, a construção de um muro entre os EUA e México. Não satisfeito, o bilionário ainda afirmou que o vizinho latino americano é quem pagará pela obra.

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Apesar de falastrão, Trump sabe muito bem monopolizar a mídia com suas opiniões fora do padrão. Imagem: internet

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Enquanto a queda do Muro de Berlim, tema em nosso blog, assinalava o início da globalização, vivemos retrocessos atualmente, como a construção de novas barreiras, dividindo países e povos.

Fronteira EUA – México

É um dos limites mais policiados do mundo, tendo 3.141 km de extensão. Seu limite oeste é entre os estados da Califórnia (EUA) e Baixa Califórnia (México) e a leste entre os estados do Texas (EUA) e Tamaulipas (Méx.).

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Fronteira México-EUA. Imagem: Internet

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Por ano, milhares de pessoas tentam atravessar esta fronteira e chegar aos Estados Unidos. No ano de 2016, tivemos 65 mortes oficiais, a maioria por desidratação ou hipotermia, nas frias noites dos desertos. Alguns afogamentos também acontecem, já que o rio Grande representa grande parte do limite entre os dois países.  Por outro lado, é uma das fronteiras mais atravessadas legalmente, com 10 milhões de acessos por ano.

Nas últimas décadas, o lado mexicano viu um aumento gigantesco de suas cidades próximas a fronteira. Isso é fácil de se entender tendo a maior economia do mundo tão próxima. Após o acordo NAFTA, tema de nosso blog, muitas empresas norte americanas se mudaram para o México em busca da mão de obra barata, gerando milhares de empregos.

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As maquiladoras, como são conhecidas as empresas norte americanas no México, geram empregos no norte do país, intensificando a urbanização no local. Ilustração: Beto Uechi/Pingado

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Além da economia formal, os cartéis de droga formam os maiores beneficiados, fazendo a conexão entre os países produtores (Colômbia, Peru, Bolívia) com o maior mercado de entorpecentes do mundo. Cidades como Tijuana e Juarez são exemplos clássicos disso. Este problema é tão intenso, que o líder do Cartel de Sinaloa, “El Chapo” Guzmán, foi preso e extraditado para os EUA, onde deverá ser julgado. Confiram em reportagem da Folha de SP.

El Cartel Jalisco Nueva Generación, con presencia en La Paz y Los Cabos.

Membros de cartéis no México. Saiba mais no site BCS notícias. 

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A quantidade de mexicanos que já migraram para os EUA é enorme. Os números podem variar pelo fato de grande parte serem ilegais, mas estima-se que os americanos de ascendência mexicana (inteira o parcial), compreendam 11,1% da população total dos Estados Unidos. Em números absolutos são 35,3 milhões de cidadãos. No passado, 500 mil imigrantes ilegais se aventuravam nesta fronteira por ano. Hoje o fluxo é bem menor, menos de 100 mil.

Antes de criticar Trump, devemos lembrar que desde 1990 já está em curso a construção de algum bloqueio físico entre os dois países, intensificado após o governo Bill Clinton (1994). Atualmente, cerca de 1.130 Km de barreiras já estão de pé, o que representa um terço do total. Em alguns locais é feito de placas de metais, em outros realmente é um muro de alvenaria. Em alguns casos existem até dois muros, separados por um vão por onde trafegam carros de segurança.

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Barreira de metal entre os EUA e México. Veja mais em Carlos Romero.

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Segundo a imprensa, o custo estimado para se levantar uma barreira em toda a fronteira ficará entre US$ 12 a US$ 15 bilhões de dólares (38 a 47 bilhões de reais). Alguns grupos independentes orçam o muro em até US$ 25 bilhões. Confira no site G1. 

O governo do México se recusa fortemente a bancar esta aventura, que deve mesmo sobrar para os cofres norte-americanos. As relações entre os dois vizinhos, membros do NAFTA, não anda nada amistosa.

Preocupação correta, solução equivocada

A preocupação norte americana com esta fronteira é legítima. Realmente milhares de pessoas e toneladas de drogas sorrateiramente atravessam a cada ano. O que se discute é se um muro irá resolver este problema ou é só mais um empreendimento megalomaníaco de Trump.

Muitos eleitores questionam a solução proposta. A grande dúvida é se um muro conseguirá impedir a entrada de pessoas, que antes mesmo dele existir, já arriscam suas vidas em desertos superquentes de dia, gelados a noite e infestados de cobras venenosas.

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Exemplo de como uma barreira não resolve por completo o  problema. Ilegais tentaram atravessar um automóvel por cima da barreira. Isso nos mostra como o problema é maior que um bloqueio físico. Leia a reportagem no site G1.

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Outras perguntas se avolumam, será que os coiotes, marginais que cobram para colocar o imigrante ilegal dentro dos EUA, não irão criar meios de ultrapassar tais barreiras, seja por cima ou até mesmo por baixo, através de túneis?

 

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A criatividade para tentar entrar nos EUA não tem limites. Este homem tentou entrar dentro da poltrona do veículo. Veja mais no site do jornal The Telegraph.

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Outro grande problema é o ambiental. Apesar de um clima desértico, existe um vasto ecossistema integrado entre México e os EUA. Vários animais como jaguares e répteis cruzam a fronteira diariamente para se alimentar ou acasalar. Um muro provocaria uma ruptura na natureza local, com graves consequências a fauna.

Jogando para a galera

Este montante de dinheiro, gasto em conjunto com o México, poderia ser utilizado para desestimular esta tentativa de romper a fronteira a qualquer custo. Inclusive os dados atuais mostram uma diminuição drástica deste fluxo migratório, tornando ainda mais exótica a ideia de Trump. Veja reportagem no site G1. Ainda neste tema, hoje entram mais chineses e indianos nos EUA (legais e ilegais) do que mexicanos, confiram no site do Jornal do brasil. 

A grande verdade, pelo menos observando o que está nítido, é que Trump está jogando para o seu eleitorado, de maioria branca, com baixa escolaridade e morador dos estados centrais do país, inclusive o Texas, que apesar de ter litoral, se enquadra neste perfil e faz enorme divisa com o México. A barreira tem um objetivo ideológico, mostrar que os EUA não querem mexicanos, afirmar não ter interesse algum em ter contato com eles.

Uma mensagem de 25 bilhões de dólares.

Este interessante vídeo de 6 minutos nos mostra toda a fronteira entre os dois países, confiram.

Espero ter aumentado seu conhecimento. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 13.02.2017

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