157. Projeções Cartográficas e Anamorfose

Em nosso texto anterior abordamos a projeção cilíndrica, com enfoque nas diferenças entre Mercator e Peters. Hoje, complementamos nosso assunto com mais formas de se transferir a superfície da Terra para um mapa.

2- Projeção Cônica

Neste caso, o objeto que  envolve nosso planeta de forma imaginária é um cone. Se nosso leitor imaginar a cena, perceberá que, pelo menos para um hemisfério, um cone envolve a Terra melhor do que um cilindro. Depois, é só transferir todo o mapeamento do planeta para o cone, que, quando aberto, nos mostrará um mapa da região envolvida.

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Desenho mostrando um cone envolvendo nosso planeta. Imagem: Internet

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Na projeção cônica, a distorção aumenta a medida que se afasta do paralelo que está em contato com o cone. Ela forma um mapa com meridianos formando retas, que convergem para um ponto. Já os paralelos, entre eles o Equador, formam círculos concêntricos.

O problema  desta projeção é que se quisermos um mapa de toda a Terra, teríamos distorções imensas. Observe a imagem abaixo:

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Cone envolvendo todo o planeta. Imagem: Internet

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Observem que o mapa formado só vai até determinada latitude sul. Isso é explicado pelo fato do cone, próximo a Antártida, ter uma circunferência tão grande, que teríamos que esticar demasiadamente o polo para que ele ocupasse toda a  borda. Isso criaria distorções muito grandes.

Alunos sempre me perguntam: E se tivéssemos um cone para cada hemisfério?

O resultado seriam dois mapas, sem a possibilidade de junção, já que o Equador se transforma em um semicírculo.

É uma projeção muito indicada quando se quer estudar uma pedaço de nosso planeta, como por exemplo um  hemisfério inteiro.

3 – Projeção Azimutal ou plana

Essa projeção é obtida colocando-se o planeta Terra sobre um plano. Em seguida, é transferido para o plano todo o mapeamento da porção do planeta voltada para ele. O resultado é um mapa circular.

Quanto mais próximo do centro desta carta, menos distorções existem. Isso ocorre pelo fato da única região da Terra em contato com o plano ficar no centro do mapa, sendo transferida de forma quase perfeita. A partir do distanciamento da região central, o mapeamento é transferido muito compactado, já que a superfície da vai se inclinando em relação ao plano.

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Desenho representando como a projeção polar plana (azimutal), já que o polo é o centro do mapa.  Imagem: Internet

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Para quem não entendeu, imagine uma pessoa, ao meio dia, projetando no solo a sombra de seu braço esticado. Se o braço estiver totalmente paralelo ao solo, será projetado de forma muito fiel ao seu tamanho original. Porém, se a pessoa começar a levantar o braço, o tamanho de sua sombra irá diminuir progressivamente. É o que acontece na projeção plana, que compacta a projeção a medida que a superfície da terra se curva.

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Logotipo da ONU. Imagem: Blogspot.

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O símbolo da ONU é uma projeção azimutal, tendo o Polo Norte, um local neutro, como centro. Todos os continentes estão representados. Os ramos de oliveira representam a paz. Ainda assim, alguns críticos afirmam que, ao escolher o polo norte como centro do mapa, países como os EUA, Rússia e o continente europeu se beneficiaram, ficando mais centralizados. Mais uma polêmica Norte x Sul.

4 – Projeção Descontínua de Goode

Se nos fosse entregue uma laranja e tivéssemos como missão representar toda a superfície dela em um plano, o que faríamos?

Com certeza cortaríamos a laranja e abriríamos sua casca em um plano. Algo como esta foto abaixo:

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Toda superfície de uma laranja representada em um plano. Imagem: Internet

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E foi, guardada as devidas proporções, o que o norte americano John Paul Goode (1862-1932) fez. Em 1916, ele criou uma projeção que distorce muito pouco os continentes, mas para isso ele cortou o planeta como se fosse uma bola de futebol. Então ele resolveu um problema, mas criou outro, a descontinuidade.

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Projeção de Goode. Imagem: Internet

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De qualquer forma, é uma projeção muito interessante, já que ele tomou o cuidado de não cortar continentes, com exceções da Antártida e Groenlândia, locais praticamente inabitados. Pode ser utilizada para se representar fenômenos continentais, tais como tipos de biomas, climas ou industrialização. Obviamente não tem muito uso para assuntos referentes a viagens marítimas, aéreas ou estudos sobre os polos.

5 – Anamorfoses 

Não são exatamente projeções cartográficas, mas são formas diferentes de se representar nosso planeta. Neste caso, os países não possuem uma forma definida. O que define a área do país é o tema da carta. Portanto é um mapa com deformações matematicamente dependentes do tema.

O termo anamorfose, vem do grego “anamórphosis”, e significa “formado de novo”, ou seja, sempre mudando.  O único fator respeitado por este tipo de mapa é o local onde o país está localizado.

A anamorfose abaixo, por exemplo, tem como tema população:

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Veja como China e Índia são representadas de forma enorme neste mapa. Graças a suas enormes populações. Imagem: internet

 

Abaixo, outro exemplo de anamorfose, dessa vez o tema é mortes por HIV:

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Observem como o continente africano ficou enorme nessa temática. Imagem: Internet

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Agora veremos várias anamorfoses das Unidades Federativas do Brasil. Clique no mapa para ampliar:

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Anamorfoses com vários temas. Imagem: Internet

 

Existem outras projeções, mas as mais utilizadas são as abordadas nestes dois textos.

Espero ter aumentado seu conhecimento. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 04.04.2017

2 comments to “157. Projeções Cartográficas e Anamorfose”

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