160. O Polêmico Nióbio

Uma grande polêmica envolve o nióbio, elemento químico de símbolo Nb, bastante leve em relação a sua resistência a altas temperaturas (até 2.468 °C). É essencial para uma série de industrias de altíssima tecnologia. O nome é uma homenagem a deusa grega Níobe, filha de Tântalo, que também nomeia outro elemento.

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Um fragmento de Nióbio. Imagem: Internet

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Se uma liga de aço contiver apenas 0,1% de nióbio, se torna muito mais resistente, por isso ele é tão utilizado na fabricação de dutos para transporte. Também é essencial para a indústria aeroespacial, assim como na produção de motores de aviões, automóveis e tomógrafos computadorizados. É matéria prima para as indústrias naval, bélica e nuclear. Por praticamente não reagir com outras substâncias é usado na fabricação de joias e em instrumentos cirúrgicos. Em resumo, um metal multiuso.

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O nióbio é utilizado, entre tantas coisas, para a fabricação de turbinas de avião. Imagem: Internet

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O fato que mais chama a atenção é que 98% das reservas conhecidas de nióbio estão em território brasileiro. Representamos 90% da oferta do recurso. As maiores estão localizadas em Minas Gerais (75%) e Amazonas (21%). Esse quase monopólio vem chamando a atenção da sociedade brasileira e inúmeras discussões estão sendo realizadas em relação a este assunto. Dado o controle sobre o recurso, poderia o Brasil escolher o preço final do produto? Estamos vendendo nióbio a preço de banana? Seria o nióbio a salvação para a combalida economia brasileira?

Vamos tentar clarear um pouco este assunto dividindo nosso texto em dois grupos de opiniões:

Opiniões 1:  O nióbio deveria ser mais valorizado pelo governo

O início da “questão nióbio” se deu com o falecido candidato a presidência da República Enéas Carneiro. Segundo ele, as reservas brasileiras de nióbio, se precificadas de forma correta, seriam maior que o PIB do Brasil na época. Veja a fala completa do político em um  vídeo no site Youtube.

Em 2010, o famoso e controverso site WikiLeaks, vazou um documento do departamento de Estado dos EUA que incluía o nióbio como estratégico para os norte-americanos. Confira esta denúncia em uma reportagem no site Youtube

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Segundo o site wikileaks, o nióbio e a região de Araxá, maior reserva do mundo, estão entre os interesses estratégicos dos EUA. Imagem: Internet

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Mesmo tão importante, o novo marco regulatório da mineração brasileira não incluiu o nióbio e o ferronióbio (liga de nióbio com ferro) em suas discussões. Isso abre espaço para teorias afirmarem que a desregulação do metal é interessante para grupos maliciosos que contrabandam e ganham dinheiro no mercado negro deste recurso. Realmente é estranho que nosso 3° mineral mais exportado tenha sido negligenciado nas discussões (está atras somente do minério de ferro e ouro).

O metal ficou ainda mais em evidência quando em 2005, durante o escândalo conhecido como Mensalão,  Marcos Valério delatou que dirigentes do Banco Rural procuraram José Dirceu, grande nome do partido que governava o Brasil, para tratativas sobre exploração de nióbio na Amazônia. Este fato atiçou ainda mais a curiosidade pública em relação a este assunto.

Para tornar ainda mais interessante o debate, em 2011 a CBMM, Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, responsável por 80% das reservas de nióbio mundiais, anunciou a venda de 30% do seu capital para empresas japonesas, sul coreanas e chinesas. Uma venda normal em qualquer seguimento, mas ao se relacionar ao nióbio, aumentam as especulações em relação ao quanto estratégico é o mineral. Como a segunda maior mineradora de nióbio é uma empresa controlada pela britânica Anglo American, abre-se a possibilidade de questionamentos em relação a nossa perda de controle sobre nossas reservas, cada vez mais nas mãos de estrangeiros.

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Mineração da CBMM em Araxá- MG. Veja mais fotos no site da Folha de Sp.

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A própria história da CBMM é bastante interessante. Após o golpe militar ocorrido em 1964, militares norte-americanos  sugeriram ao banqueiro brasileiro Walther Moreira Salles, ex- embaixador nos EUA, que investisse parte de sua fortuna na mineração do nióbio. O detalhe é que, até aquele momento, o metal simplesmente não tinha utilidade, vindo depois a obter a importância atual.

Finalizando esta parte vamos abordar o preço. Pelos últimos levantamentos, o kg de nióbio está sendo exportado a pouco mais de 30 dólares,  o que representa algo próximo a 100 reais. Isso é menos que uma mísera grama de ouro, cotada a 128 reais.  Não estamos comparando diretamente os dois elementos, mas sendo produtos com tantos predicados é realmente estranho uma discrepância tão grande de valores.

Opiniões 2: A importância do nióbio é superestimada

Agora, o outro lado da moeda. Alguns especialistas afirmam que o nióbio não é tão raro como parece. O que ocorre é que alguns países ainda não se interessaram pela mineração do metal por se tratar de uma tecnologia cara. Se o Brasil aumentar o preço, países como os EUA podem implementar projetos de exploração locais, como por exemplo já existe no Nebraska. É um nióbio de baixa qualidade, mas com preços muito altos passa a valer a pena.

Algo muito semelhante ocorreu quando o preço do barril do petróleo bateu recordes de alta. Os norte americanos, maiores consumidores mundiais, investiram no óleo de xisto, que se tornou viável devido a precificação astronômica da maior commoditie do mundo. Logo depois, o preço do petróleo despencou graças a nova opção disponível no mercado.

O nióbio possui uma grande importância estratégica para alguns ramos industriais, porém, pode ser substituído, mesmo com qualidade inferior, por outros elementos como vanádio, tântalo e o titânio. Um encarecimento do nosso metal poderia gerar uma substituição dele por outros, diminuindo seu valor e prestígio.

Quanto a venda irregular, existem indícios de contrabando de nióbio, principalmente no norte do Brasil, nas jazidas amazônicas. Entretanto, não se tem qualquer comprovação de exportação ilegal da commoditie, derrubando especulações de que estaríamos vendo nossa riqueza ser roubada de nós.

Para finalizar, as estimativas atuais indicam que as jazidas de nióbio, de acordo com a demanda atual, ainda irão durar cerca de 100 a 200 anos. Isso contradiz quem afirma que nossas reservas irão acabar sem que tiremos proveito disso.

Conclusão final

O assunto é espinhoso e o debate muitas vezes parte para o lado ideológico. Em um país corrupto como o nosso, não temos certeza se os dois lados estão trabalhando com dados fidedignos. O assunto tem todos os ingredientes para uma polêmica, envolve política, dinheiro, empresas transnacionais, EUA, China e muito mais.

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Até o possível candidato a presidência, Jair Bolsonaro, entrou na polêmica. Veja no site Youtube. Imagem: Internet

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Nosso blog não tem a audácia de dar um veredito final ao problema, já que não somos especialistas no assunto. Simplesmente agrupamos aqui o que de mais importante é dito em relação ao embaraço.

De uma forma ou de outra, analisando os setores que necessitam de nióbio, estamos perdendo uma enorme chance de desenvolver no Brasil indústrias de ponta, aproveitando o recurso que já está aqui. Imaginem cursos universitários produzindo cientistas capazes de desenvolver ainda mais as potencialidades do nióbio.

Barato ou caro, mais uma vez estamos deixando o cavalo passar arriado.

Espero ter aumentado seu conhecimento. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

Publicado em 24.04.2017

2 comments to “160. O Polêmico Nióbio”
  1. Sendo os homens de bem os patriotas que Bolsonaro proclama devam ficar alertas pelo bem de todos, aguardaremos em futuro próximo, possamos ver efetivada a guarda de riquezas que hoje são manipuladas sem devido estudo, especialmente pelo Ministério de Indústria e Comércio que pode agir melhor se pedir auxílio às universidades brasileiras.

    • Concordo, Bolsonaro tem um discurso que agrada muita gente, em especial devido a grande violência que vivemos. Atacar a violência armando a população não sei se é a melhor solução. Quanto ao Nióbio, é uma discussão intensa, presente no texto com suas duas vertentes.

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