166. Petróleo

Nosso blog inúmeras vezes citou o petróleo como importante personagem em nossos textos. Podemos perceber sua importância já no nosso post de estreia. Entretanto, ainda não tínhamos um texto com o petróleo realmente protagonizando a cena. Com uma importância tão colossal em nossa sociedade, já estava passando da hora da commoditie receber seu próprio texto.

Nome

A palavra deriva do latim petroleum, petrus (pedra) e oleum (óleo). É uma mistura oleosa, pastosa e  inflamável. Pode variar de cor, mas geralmente é escuro, negro. É a principal fonte de energia do mundo desde a Segunda Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX.

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Petróleo. Imagem: Internet

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Origem

A teoria mais aceita é que, por ser um combustível fóssil, o petróleo tenha se originado a partir da deposição de matéria orgânica (resíduos animais e  principalmente vegetais) no fundo de oceanos primitivos. Com o passar de milhões de anos, sob pressão de toneladas de sedimentos acumulados, somado a altas temperaturas, essa mistura orgânica se liquefez,  se espalhando pela rocha porosa ao seu redor.

É interessante ressaltar que devido a altíssima pressão a que está submetido la embaixo, o petróleo migra da rocha formadora para cima, até encontrar o que os geólogos chamam de armadilha, uma rocha impermeável que sela o óleo. Em alguns casos, ele pode chegar até a superfície.

Formação do petróleo e gás natural

CLIQUE PARA AMPLIAR. Formação do petróleo. Saiba mais no interessante site Detetives do Passado.

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Essa formação teve início, principalmente, no período Cretáceo da Era Mesozoica, entre 65 a 145 milhões de anos atrás. Como nosso consumo é infinitamente mais rápido que o seu tempo de formação, dizemos que o petróleo é uma fonte de energia não renovável, ou seja, vai se esgotar em algumas décadas. Outro ponto negativo é a poluição gerada pela queima de seus derivados.

Em suma, o petróleo é uma  mistura natural  de compostos de carbono e hidrogênio, conhecidos como hidrocarbonetos. O que difere o carvão mineral do petróleo é o material de origem. Enquanto o petróleo é a transformação de materiais marinhos ou lacustres, o carvão vem da lenha, florestas. O gás natural, terceira maior fonte de energia do mundo, é formado junto ao petróleo, a partir de sua decomposição.

Uso Humano

Desde a Mesopotâmia, há 6 mil anos atrás, já se usava o betume, parte mais pesada do petróleo, para pavimentação de estradas, iluminação das casas e para calafetar locais onde isso se fazia necessário. Durante o Império Romano também era usado em flechas incendiárias. Isso era possível porque o petróleo aflorava na superfície em alguns locais do Oriente Médio.

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Em 1870 John D. Rockefeller  fundou a Standard Oil, empresa que veio a dominar 90% da produção de petróleo dos EUA. Mais à frente, foi obrigado a vender partes de sua firma por se tratar de um monopólio. Imagem: Internet

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O uso moderno, podemos dizer assim, veio no Século XIX, principalmente através da megaempresa de John Rockefeller. Os sempre soberbos norte-americanos consideram que a indústria petrolífera nasceu em agosto de 1859, quando foi perfurado o primeiro poço nos EUA, no estado da Pensilvânia. Como não existe historicamente outra data, essa acabou se oficializando.

A mais usada no mundo

A dependência do óleo negro vem diminuindo no mundo, entretanto, ainda continua como a matriz energética mais utilizada do planeta. Atualmente, cerca de 30% da energia consumida no mundo vem dos derivados de petróleo.

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Clique para ampliar. Evolução da matriz energética mundial. Imagem: Internet

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Derivados

Um dos grandes segredos da valorização do petróleo é o seu multiuso. A partir dos barris podem-se fazer inúmeros derivados através do aquecimento, entre eles destacamos: Gás de cozinha (GLP), gasolina, diesel, combustível de aviação, óleos lubrificantes, querosene, entre outros. Também é matéria prima para se produzir asfalto, náilon, cosméticos, corantes, conservantes e muito mais. O site da Revista Mundo Estranho explica um pouco melhor o processo de transformação da commoditie em seus subprodutos, confiram.

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CLIQUE PARA AMPLIAR. Desenho mostrando os subprodutos mais leves e mais pesados obtidos a partir do petróleo. Imagem: Internet

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Reservas e produção

Existem duas formas de análises quando o assunto são as reservas mundiais de petróleo. A primeira é a tradicional, levando-se em consideração o petróleo convencional. A segunda incluiu o xisto betuminoso, um óleo encontrado em rochas, porém em estado sólido, dificultando e encarecendo sua prospecção. As duas formas geram os derivados que conhecemos, entretanto, o preço de produção é bem diferente, sendo o xisto bem mais caro. O petróleo do xisto, como é conhecido, também promove maior impacto ambiental, já que é retirado por fraturamento hidráulico.

A tabela abaixo nos mostra as maiores reservas de petróleo do mundo. Detalhe para o Canadá que, após o desenvolvimento de tecnologia para se extrair petróleo do xisto, foi catapultado no ranking.

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CLIQUE PARA AMPLIAR. maiores reservas do mundo de petróleo, contando com o óleo de xisto. Imagem: Internet

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Ter petróleo não significa necessariamente que o país produza muito. O Iraque, por exemplo, durante certo tempo praticamente cessou sua produção devido a conflitos internos. Após o óleo de xisto, uma revolução movimentou a indústria petrolífera e hoje os EUA são os maiores produtores de petróleo no mundo. Algo inimaginável alguns anos atrás. A Revista Veja lançou um ranking com os maiores produtores de petróleo do mundo, confiram.

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Preço

O valor de um barril de petróleo teve grande queda nos últimos anos e foi assunto em nosso blog nos textos de estreia. Com o desenvolvimento de tecnologia para se retirar o óleo não convencional, também chamado de petróleo de xisto, o preço da commoditie caiu bastante. Países como EUA e Canadá se tornaram grandes reservas e produtores, tirando do Oriente Médio o domínio sobre esta importante riqueza.

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O preço do barril, que já chegou a 144 dólares, até o fim deste texto estava US$ 51,55. Tudo isso pressionado pela revolução do xisto. Se o preço sobe, o mundo produz mais xisto. Um duro golpe para os detentores de petróleo convencional.

OPEC/OPEP

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É o acrônimo de Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Em inglês OPEC, Organization of the Petroleum Exporting Countries. Foi criada em 1960 com o objetivo de unir os países detentores das maiores reservas de petróleo do mundo. De posse de cerca de 80% do óleo negro, podiam assim controlar o preço da commoditie. Como é um produto que depende da lei da oferta e demanda, quando os preços não estavam do gosto dos membros da OPEP, eles diminuíam a produção, reduzindo a oferta, naturalmente elevando os preços.

Outra questão era fazer frente as 7 Irmãs, apelido dado às sete maiores companhias de petróleo transnacionais, que dominavam a produção de petróleo naquele momento da história. Após fusões, atualmente essas empresas são 4:  ChevronTexaco (EUA), ExxonMobil (EUA), Shell (Holanda e Reino Unido) e BP (Reino Unido).

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Em 1973 a OPEP foi responsável pelo primeiro choque do petróleo, nome resultante do aumento brusco no preço do óleo. Com a vitória de Israel em mais uma guerra contra países árabes/muçulmanos, a OPEP resolveu interromper a venda para países ocidentais, entre eles os EUA. Isso causou um aumento de 400% no valor do produto. Em 1979 veio o segundo choque, provocado pela Revolução Islâmica no Irã, fato que balançou as estruturas do Oriente Médio, repercutindo até os dias atuais.

O poder desta organização foi tremendamente abalado pelo xisto, sempre ele, que trouxe novos players ao mercado de energia.

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Membros da OPEP. Imagem: Internet

 

A sede do grupo fica em Viena, Áustria. Isso se deve a grande rivalidade entre os membros, forçando a escolha de um país neutro para sediar a organização. Os atuais membros da OPEP são: Arabia Saudita, Irã, Iraque,  Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Qatar, Angola, Argélia, Líbia, Nigéria. Equador e Venezuela. Em 2015 a Indonésia voltou ao grupo e em 2016 foi a vez do Gabão, totalizando 14  participantes.

Próximo texto

Nosso próximo post aborda o histórico do petróleo no Brasil, com destaque para a combalida Petrobrás. Imperdível!

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Publicado em 05.06.2017

 

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