218. Independência do Brasil (1822)

Em nosso último texto abordamos o Período Joanino, espaço de tempo em que o império português foi comandado a partir do Rio de Janeiro.

Como mostrado anteriormente, Dom João VI precisou voltar a Portugal, para não perder o comando sobre o seu império, deixando no Brasil seu filho como Príncipe Regente.

Dom Pedro I (IV em Portugal)

Seu nome completo era Pedro de Alcântara Francisco António João Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim José Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragança e Bourbon. Não apertei as teclas sem querer, esse era realmente todo o nome do nosso primeiro imperador.

Veio para o Brasil com 9 anos de idade, junto a toda corte de Portugal. Por aqui, viveu toda a adolescência e início da vida adulta. Aos 19 anos casou-se, por interesse de Estado, com Maria Leopoldina,  filha do Imperador da Áustria. Essas associações eram muito comuns para fortalecer relações entre nações diferentes.

Príncipe Regente

Em 22 de abril de 1821, foi nomeado príncipe Regente do Reino Unido a Portugal e Algarve (Brasil). Ele era o quarto filho do casal real, porém, naquele momento, o descendente homem mais velho da família. Seu irmão Dom Francisco havia morrido e as outras duas eram mulheres.

Com Pedro I após uma recente reconstrução facial. Nesta imagem, ele está mais velho que no período da Independência. Leia mais no site da BBC.

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Foi um rapaz que recebeu forte educação formal, mas sempre foi tido como temperamental, impulsivo, já que seu pai não permitia que ninguém o educasse com rigor.

Sua rebeldia pôde ser observada enquanto regente. Por conta própria, Dom Pedro abaixou alguns impostos, além de igualar as patentes dos militares brasileiros aos portugueses. Suas atitudes confrontavam diretamente com quem desejava o restabelecimento das relações de subserviência do Brasil em relação a Portugal.

Dia do fico

A relação entre o filho de Dom João com as Cortes estava completamente desgastada. Os portugueses passaram a exigir o imediato retorno do príncipe, em um claro movimento de retirar daqui alguém insubordinado, não tão comprometido com os interesses lusitanos.

Em janeiro de 1822 chegou uma ordem para que Dom Pedro, regente do que viria a ser o imperador Brasil, voltasse imediatamente a Lisboa. A elite brasileira se mobilizou e entregou ao filho de Dom João um abaixo assinado com mais de 8 mil assinaturas, pedindo que ele ficasse por aqui, desobedecendo frontalmente a ordem emitida em Portugal.

Pintura retratando o Dia do Fico. Evidentemente temos que tomar cuidado com todo tipo de reconstituição histórica, os fatos podem não ter se desenrolado exatamente dessa forma, já que os pintores de quadros, em geral, procuram ser espetaculosos. Imagem: Internet.

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No dia 9 de janeiro de 1822 Dom Pedro resolveu desobedecer a ordem direta das Cortes,  proferindo a famosa frase:  “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”. 

Momento eternizado como o “Dia do Fico”, considerado o fato a partir do qual a independência brasileira não tinha mais como recuar.

Cerca de dois mil soldados leais ao general português Jorge Avilez tentaram uma reação ao ato do príncipe regente, àquela altura, rebaixado pelas Cortes a governador da província do Rio de Janeiro. Foram cercados por 10 mil homens da Guarda Real da Polícia, leais a Pedro. Não tendo como revidar, os portugueses foram enviados a Niterói, onde aguardaram transporte para retorno a Portugal.

Quadro retratando Dom Pedro I (à direita) ordenando o retorno de  Jorge d’Avilez (à esquerda) a Portugal após a rebelião fracassada. Imagem: Internet.

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Dom Pedro nomeou José Bonifácio como o seu ministro das relações exteriores, uma ação clara de quem já começava um governo próprio. Com o tempo, os dois desenvolveram uma relação bem próxima.

Mais a frente na história, brigaram, se reconciliaram e Bonifácio se tornou o tutor do próximo imperador, Dom Pedro II.

Grito da Independência

Em dia 2 de setembro de 1822 Leopoldina estava regendo o país, enquanto seu marido Pedro estava viajando por São Paulo para garantir apoio a Independência. Junto aos ministros, resolveram declarar a separação total entre Brasil e Portugal, enviando um emissário de encontro ao marido.

Maria Leopoldina de Áustria foi a 1º esposa de D. Pedro I e Imperatriz do Império do Brasil de 1822 até sua morte em 1826 (com apenas 29 anos). Era filha do imperador Francisco I da Áustria e considerada a principal articuladora da independência. Era muito mais adorada pelo povo que seu marido. Imagem: Internet.

 

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No dia 7 de setembro de 1822, às margens do rio Ipiranga, onde hoje é a cidade de São Paulo, Dom Pedro recebeu a mensagem da fantástica manobra liderada por sua esposa, além do  fato das Cortes terem emitido mais comunicados hostis em relação ao seu governo.

Naquele momento, teve que tomar uma decisão final. Tendo o apoio político, da aristocracia rural e dos homens livres (já que a maioria eram escravos), o futuro imperador do Brasil reuniu a sua comitiva e proclamou a independência de nosso país com a espada em riste.

Segundo consta a história ele teria proferido uma sequência de frases:

“Amigos, as Cortes Portuguesas querem escravizar-nos e perseguir-nos. A partir de hoje as nossas relações estão quebradas. Nenhum vínculo unir-nos mais”

“Tirem suas braçadeiras, soldados (representava Portugal). Viva independência, à liberdade e à separação do Brasil.”

“Para o meu sangue, minha honra, meu Deus, eu juro dar ao Brasil a liberdade”

“Independência ou morte”

Nem tudo que circula sobre o momento da independência foi tão glamoroso quanto aprendemos nas escolas. Nesta linha de raciocínio, nosso blog já abordou o Quadro “Independência ou Morte” de Pedro Américo, em alusão ao grito emitido por Dom Pedro naquele dia, confiram no texto 04.

 

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Como todo movimento oriundo da elite, em nada mudou a vida dos pobres e escravos por aqui, que viveram o evento como meros espectadores distantes.

A independência não foi exatamente um ato patriótico, protagonizado por alguém que realmente queria livrar o Brasil da subserviência. Foi muito mais uma reação a possíveis perdas de autonomias comerciais por partes das elites do que verdadeiramente o ideal de formar um novo país.

Se o desejo fosse realmente libertar os brasileiros de qualquer tipo de dominação, a escravidão não teria durado até 1888 por aqui. Assim como também foi mantida a péssima distribuição de renda, o modelo rural agroexportador, os latifúndios e a própria monarquia.

Nosso blog já dissecou um pouco mais a vida de Dom Pedro I, polêmico imperador brasileiro. Confiram no texto 12 e sua sequência. 

Após a Independência, algumas revoltas eclodiram no nordeste, lideradas por portugueses desgostosos com a separação, mas foram fortemente reprimidas pelas tropas do imperador até março de 1824.

Percebendo a impossibilidade de lutar em outro continente contra o Brasil, Portugal aceitou a independência através do Tratado Luso-brasileiro, em 29 de agosto de 1825.

Ficou acordado um pagamento de  2 milhões de libras esterlinas por tudo que os portugueses haviam deixado em solo tupiniquim, como por exemplo os livros presentes na Biblioteca Real.

Curiosamente, quem mediou o acordo foi a Inglaterra, exatamente o país onde o Brasil foi buscar empréstimos para quitar a dívida. Ainda mais interessante, do total, somente 600 mil libras chegaram a Portugal, já que 1,4 milhão ficou retido pelos bancos como pagamento de uma antiga dívida portuguesa com o Reino Unido.

Resumindo, compramos nossa independência do Reino Unido, não de Portugal.

Espero ter aumentado seu conhecimento. Curta nossa página no Facebook e compartilhe nosso texto! Abraço do Clebinho!

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