252. Catástrofe no Iêmen

APOIO : Colégio Cotemig

Chegou o momento do nosso Blog abordar o maior conflito humanitário da atualidade, a Guerra no Iêmen. Em segundo ou terceiro plano na mídia até pouco tempo atrás, já que o mundo só tinha olhos para o conflito na Síria e o Estado Islâmico, emerge aos olhos de todos como algo grotesco e aterrador.

Iêmen

É um país da Península Arábica, de maioria muçulmana sunita, com uma área de 527.968 km² e uma população estimada em 27 milhões de habitantes.

Está localizado em um local extremamente estratégico, ao lado da rica em petróleo Arábia Saudita, além de estar em um dos lados do Estreito de Bad al Mandeb (Badalmândebe), porta de entrada do Mar Vermelho, consequentemente, do Canal de Suez. É o caminho por onde trafegam a maioria dos petroleiros mundiais.

Iêmen de um lado e Djibouti de outro, marcam a entrada do Mar Vermelho, local de passagem de petroleiros em direção ao Mar Mediterrâneo (Canal de Suez). Imagem: Internet.

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O país sempre foi o mais pobre da península, dificuldades nunca faltaram a população. Mas, diz o velho ditado, nada está tão ruim que não possa piorar. A situação, se deteriorou por completo.

Problema

O ano de 2011 foi conturbado no Oriente Médio, com a explosão da Primavera Árabe, tema em nosso Blog nos textos 154 e 155. Uma onda de protestos derrubou, ou pelo menos tentou, uma série de governantes pelo mundo árabe. O caso do Iêmen não foi diferente e o presidente, Ali Abdullah Saleh, foi forçado pela população a transferir o poder para as mãos do vice, Abdrabbuh Mansour Hadi.

A história não mente, trocar o poder a força, no susto, nem sempre é garantia de solução. Em um país conturbado e corrupto, militares titubearam em apoiar o novo presidente e a população sofria. O mandato do vice também foi interrompido.

Em 22 de janeiro de 2015, Hadi também renunciou à presidência, depois que a milícia Houthi tomou a capital, Sanaa. Imagem: Internet.

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Apesar do país ser de maioria Sunita, uma das vertentes muçulmanas, sempre existiu internamente um movimento Xiita, menor, mas tremendamente barulhento, vindo do povo zaidi.

Representados pelo movimento chamado Houthi (Huthi), os xiitas reacenderam uma antiga rivalidade e, com a ajuda do Irã, aproveitaram a desordem e avançaram sobre o restante do país, tomando a capital Sanaa no ano 2014. O presidente Hadi foi obrigado a se mudar para Riad, capital da Arábia Saudita.

Clique para ampliar. Avanço Houthi em direção a capital e ao Sul. Imagem: Internet.

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Guerra Fria  no Oriente Médio

Com o tumulto interno no Iêmen teve início mais um capítulo da Guerra Fria entre a Arábia Saudita, país de maioria sunita e apoiadora do governo iemenita, contra o Irã, país de maioria xiita e articulador financeiro dos rebeldes.

Chamamos esse tipo de conflito de guerra por procuração, já que as duas grandes potências do Oriente Médio nunca se enfrentaram diretamente, manipulando conflitos entre outros personagens.

O príncipe saudita Mohammed bin Salman e o presidente de Irã, Hassan Rouhani. São os dois principais players do conflito, apesar de seus países não se enfrentarem diretamente. Imagem: Internet.

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A Síria também foi parte dessa rivalidade, mas ao contrário. Nesse caso, o Irã patrocinou o governante Bashar al Assad, enquanto a Arábia Saudita deu suporte aos insurgentes.

O ano de 2015 foi chave para o conflito, já que os sauditas lideraram uma coalizão de ataque, apoiada por EUA, França, Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, entre outros. Através de bombardeios aéreos e bloqueio navais, o  Iêmen foi duramente sufocado, objetivando neutralizar a ofensiva Houthi.

Rebeldes Houthis. Imagem: Internet.

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É fato que os sauditas não permitiriam a instalação de um governo xiita nas suas barbas, mas o preço disso está custando muito caro. Os bloqueios navais, criados para impedir a chegada de armas vindas do Irã, podem até fazer algum sentido, mas o efeito colateral é imenso. O problema é que alimentos, água, medicamentos, necessários para dar suporte a vida, também não chegam ao país faminto.

A maioria das vítimas dos ataques aéreos da Arábia Saudita são civis. Imagem: Reuters. Reportagem BBC Brasil.

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Em 2017, um míssil houthi atingiu a capital da Arábia Saudita, Riad e o bloqueio ficou ainda mais forte. Os ataques aéreos aumentaram, matando de forma indiscriminada. O mundo virou as costas para o conflito e a situação não tem previsão de melhora.

Como sempre se aproveitando da desordem, os grupos terroristas Al Qaeda e Estado Islâmico, rivais entre si,  passaram a operar na região, buscando dominar territórios.

Imagem de dezembro de 2018 mostrando como está o conflito. Fonte: Revista Istoé.

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O detalhe é que a guerra não é ruim para todos, somente as industrias britânicas de armas já lucraram £6 bilhões (R$ 27 bilhões) com vendas de armas para os sauditas, ao longo do confronto. Isso explica muita coisa. Vejam em reportagem do site G1.

Números do Conflito Até Aqui

  • 1 milhão de afetados por cólera;
  • 1,8 milhão de crianças menores de 5 anos sofrendo de desnutrição;
  • 3 milhões de pessoas expulsas de seus lares;
  • 14 milhões de pessoas passando fome, das quais, 8,5 milhões em todos os dias;
  • 22 milhões de pessoas necessitam de algum tipo de ajuda humanitária, das quais, 11 milhões de forma urgente;
  • Por causa dos bloqueios, 70% da população não tem acesso a itens básicos de sobrevivência;
  • A ONU anuncia 10 mil mortes, mas números divulgados pelo Armed Conflict Location and Event Data (ACLED), indicam 30 mil mortes só em 2018. O número total extrapola 60 mil.

Ataque a Arábia Saudita

O mais novo e perigoso capítulo dessa trama ocorreu em 14 de setembro de 2019. Drones atacaram duas grandes instalações da petroleira saudita Aramco. Em Abqaiq está localizada a maior indústria de processamento de petróleo do mundo, que ficou em chamas.

Cerca de 5% do óleo negro mundial vem desse local. O ataque foi cirúrgico, afetando drasticamente a produção e desestabilizando o preço do combustível no mundo todo.

Fogo na planta industrial saudita em Abqaiq. Esse ataque promoveu a maior elevação do preço do petróleo desde a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990. Imagem: Internet.

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Os rebeldes Houthis assumiram o atentado, porém, a desconfiança é que o Irã tenha sido o mentor. Sem dúvida alguma, um conflito entre as duas grandes potências do Oriente Médio jogaria o mundo em uma gravíssima recessão, já que pressionaria o valor dos combustíveis.

Em nossos textos 1 e 2, os primeiros do Blog, ainda em 2015, alertamos para essa crescente rivalidade, confiram. 

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Publicado em 28.09.2019

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